Economia espanhola encolhe ainda mais, e governo busca reformas

A economia espanhola encolheu ainda mais no segundo trimestre de 2012, mas deve se estabilizar no restante do ano enquanto o governo continua realizando reformas estruturais e medidas de austeridade orçamentária, afirmou neste domingo o ministro da Economia, Luis de Guindos.

NIGEL DAVIES, Reuters

01 de julho de 2012 | 11h38

Líderes europeus concordaram na sexta-feira em permitir que o fundo de ajuda da zona do euro injete recursos diretamente em bancos, atravessando a soberania do governo e intervindo nos mercados de títulos da dívida.

O acordo foi classificado pelos jornais europeus como um triunfo para Espanha e Itália, que estão sendo observadas de perto pelos investidores, e uma derrota para a chanceler alemã, Angela Merkel, que resistiu ao uso de fundos comuns europeus para auxiliar países com problemas econômicos.

Merkel argumentou que os membros da zona do euro devem ser responsáveis por recuperar suas próprias economias, e alertou que facilitar os termos de auxílios financeiros pode fazer os políticos amenizarem reformas impopulares e cortes de gastos.

'“Todos saíram deste importante encontro como vencedores. Foi o euro que ganhou. De agora em diante, todos devemos contribuir, disse De Guindos durante um evento do instituto conservador FAES.

'O governo espanhol está comprometido com a austeridade, com uma difícil correção orçamentária, e com reformas econômicas que são essenciais ao crescimento. É um processo que precisa continuar'.

O Produto Interno Bruto (PIB) espanhol caiu 0,3 por cento no primeiro trimestre do ano ante o período imediatamente anterior. O governo espera que a economia recue até 1,7 por cento em 2012 ante 2011, mas muitos especialistas alertaram que importantes medidas de austeridade podem fazer a retração ser ainda maior.

Os conservadores, que herdaram dos socialistas uma das maiores dívidas públicas da zona do euro, que chegou a 8,9 por cento do PIB em 2011, disseram que vão diminuir a taxa para 5,3 por cento neste ano e para 3 por cento em 2013.

Desde quando assumiu o poder, em dezembro, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, anunciou cortes orçamentários de quase 5 por cento do PIB para este ano e aprovou uma reforma no mercado trabalhista e reformas para o setor bancário, atingido duramente pela explosão da bolha imobiliária.

A Espanha pediu até 100 bilhões de euros (126,91 bilhões de dólares) para recapitalizar seus bancos em pior situação, uma linha de crédito que deve sair antes que as regras diretas da recapitalização, acertadas no encontro, sejam colocadas em prática.

(Reportagem de Nigel Davies)

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