Eleições italianas para premiê entram em seu segundo dia

Primeiro dia de votação é marcado por participação menor em relação a 2006 e demonstração de insatisfação

BBC Brasil,

14 de abril de 2008 | 02h34

As eleições gerais na Itália entram nesta segunda-feira, 14, em seu segundo e último dia, com as estimativas oficiais indicando que até dois terços dos eleitores já haviam votado no domingo. A expectativa é de que os primeiros resultados comecem a ser divulgados logo após o fechamento das urnas, previsto para as 15h (10h de Brasília).   Veja também: Baixo comparecimento marca primeiro dia Eleitor come cédula em protesto contra políticos italianos Berlusconi abandona pose de mágico  Veltroni gosta de comparar-se a Obama Necessidade de reforma política é o maior consenso  Com declínio econômico, italiano quer salário maior e menos impostos  Ouça análise sobre os candidatos da eleição italiana  Conheça o dois principais candidatos à premiê na Itália e entenda o processo eleitoral do país      A expectativa das autoridades era de grande participação nas eleições. No último pleito, há pouco mais de dois anos, mais de 80% dos eleitores exerceram o direito de votar. Até as 22 horas locais de ontem, quando terminou o primeiro dia de votação, 63,64% dos 47 milhões de eleitores habilitados a votar para a Câmara dos Deputados tinham comparecido - um pouco menos que o encerramento do primeiro dia em 2006, quando foram 67,61%.   A eleição deve determinar os novos Parlamento e primeiro-ministro do país. A disputa pelo governo da Itália se concentra em dois partidos: o PDL, Partido da Liberdade, de centro-direita, liderado pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi; e o PD, Partido Democrático, de centro-esquerda, cujo líder é o ex-prefeito de Roma, Walter Veltroni.   Com a economia no centro das preocupações dos eleitores italianos, os dois principais candidatos prometeram cortes fiscais modestos e diminuição da burocracia durante a campanha.   A lei italiana não permite a divulgação de pesquisas de intenção de voto duas semanas antes das eleições, mas os correspondentes da BBC dizem que a disputa está bastante acirrada e que o vitorioso poderá ter de formar uma coalizão com partidos menores. Nem mesmo uma aliança entre Berlusconi com Veltroni é descartada.   As eleições estão sendo realizadas três anos antes do previsto por causa do colapso da coalizão de centro-esquerda liderada por Romano Prodi. O novo governo será o 62º do país em 63 anos. Além das 47 milhões de pessoas habilitadas a votar na Itália, cerca de três milhões de italianos que vivem no exterior podem participar das eleições. Observadores da direita e da esquerda devem acompanhar a apuração, para evitar qualquer acusação posterior de fraude eleitoral.   Uma nova lei que entrou em vigor para estas eleições proíbe o porte de celulares equipados com câmeras fotográficas na hora do voto, já que em outras eleições teriam sido registrados casos de coerção.   Desilusão política   Uns votaram pensando no bolso, outros em nome de princípios, e alguns conseguiram conciliar os dois critérios. Foi o caso do profissional de informática Luca, de 40 anos (que não quis dizer seu sobrenome). "Votei por O Povo da Liberdade, porque eles têm representado valores como a família e a educação, que não encontro em outros partidos", disse Luca ao sair de uma missa, referindo-se ao partido do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, de centro-direita.   "São pessoas que estão na política há muito tempo, e levam adiante temas como a educação, o ensino público e a ajuda à família concretamente", continuou Luca. "No outro governo de Berlusconi, nasceram meus dois filhos gêmeos, que agora estão com dois anos e meio, e recebi um bônus de 1.500 para cada criança, coisa que nunca aconteceu nos sucessivos governos de centro-esquerda.". Luca tem razões de sobra para se importar com isso. É pai de seis filhos: além dos gêmeos, tem um de 6 anos, um de 9, uma de 12 e outra de 14. "Do ponto de vista fiscal, ter seis filhos ou nenhum é a mesma coisa", queixou-se ele.   Os italianos em geral se sentem desiludidos pela crônica estagnação econômica (a Itália é o país que menos cresce na Europa, registrando 1,5% no ano passado) e com o sistema político, pelo qual se vota em listas partidárias, com um esquema de prêmio para garantir a maioria na Câmara e base de cálculo regional para o Senado, o que termina distorcendo os resultados. Apesar dessa desilusão, Renato Mannheimer, diretor do Instituto de Estudos da Opinião Pública, prevê que a maioria dos eleitores continue votando como sempre: "O voto na Itália é pouco móvel."   (Com Lourival Sant´Anna, de O Estado de S. Paulo e BBC Brasil)

Tudo o que sabemos sobre:
Itáliaeleição

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.