Eleições na Geórgia podem ter segundo turno

O líder da Geórgia Mikhail Saakashvili derrotou seus adversários na eleição presidencial do país, como indicam resultados preliminares divulgados no domingo, mas ele corre o risco de ter de enfrentar um segundo turno.   Com cerca de um quarto dos votos apurados, Saakashvili, que ascendeu ao poder após uma revolução pacífica em 2003, tem 48,55 por cento da preferência dos eleitores, pouco abaixo dos 50% necessários para garantir-lhe a vitória em primeiro turno.   Depois de uma pesquisa de boca-de-urna indicar a vitória em primeiro turno, milhares de manifestantes juntaram-se nas ruas da capital para acusar Saakashvili de fraudar as eleições.   Observadores ocidentais disseram que as eleições foram limpas, tornando mais difícil uma contestação do resultado por parte da oposição, e os Estados Unidos conclamaram os opositores a respeitar o veredicto.   A Geórgia está na rota de um importante duto petrolífero que liga o mar Cáspio e a Europa, e é cenário de uma disputa por influência regional entre a Rússia e os Estados Unidos.   Saakashvili convocou eleições antecipadamente para tentar reconstruir sua abalada credibilidade. Ele chocou seus aliados ocidentais ao ordenar que a polícia atirasse gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes em novembro.   "Eu acredito que essa eleição é uma expressão viável da livre escolha do povo georgiano, mas o futuro reserva imensos desafios", disse Alcee L. Hastings, líder da missão de observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).   O resultado representa uma imensa queda na popularidade de Saakashvili, de 40 anos, que chegou a desfrutar de um apoio de 90% da população quando foi eleito para o seu primeiro mandato.   Críticos dizem que suas reformas, apoiadas pelo Ocidente, ignoraram os pobres e afirmam que ele é um líder autoritário que apóia as liberdades democráticas apenas da boca para fora. A oposição, no entanto, apóia amplamente sua postura pró-Ocidente.   Caso haja um segundo turno, a votação ocorrerá em 19 de janeiro e Saakashvili deverá enfrentar Levan Gachechiladze, que, de acordo com a contagem incompleta dos votos, está em segundo lugar, com 26,12%.   Um segundo turno seria arriscado para Saakashvili porque seu adversário pode ganhar os votos de outros candidatos oposicionistas derrotados no primeiro turno.   O relatório da OSCE afirma que estas eleições foram as primeiras verdadeiramente competitivas no país desde que ele se tornou independente da União Soviética, em 1991. Os pleitos anteriores haviam sido completamente favoráveis a apenas um candidato ou considerados injustos. Mas os observadores notaram algumas falhas, com a campanha inclinando-se em favor de Saakashvili.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.