Eleitores gregos não se arrependem de voto contra austeridade

Após votar maciçamente contra os partidos responsáveis pelo socorro financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia (UE) no domingo, os gregos dizem estar preparados para fazer tudo de novo, caso seja preciso repetir a eleição no mês que vem, como parece praticamente certo.

RENEE MALTEZOU E INGRID MELANDER, REUTERS

09 Maio 2012 | 16h17

Os dois partidos que dominaram a Grécia durante décadas e negociaram um pacote de socorro de 130 bilhões de euros receberam apenas 32 por cento dos votos na eleição de domingo; o restante dos gregos optou por partidos marginais que se opõem ao socorro.

Os políticos praticamente não mostram sinais de serem capazes de formar juntos um governo, o que significa que uma nova eleição deverá ocorrer em três ou quatro semanas.

A confusão política tem alimentado especulações de que a Grécia será expulsa da moeda única da Europa, embora as pesquisas mostrem que os gregos querem manter o euro.

"Não me arrependo. Sinto que tenho razão porque os dois partidos pró-socorro financeiro foram injustos conosco por muitos anos", disse Petros Chiotopoulos, de 70 anos, dono de uma pequena empresa de aluguel de ônibus, que votou pelo partido conservador dissidente Gregos Independentes.

Os comentários foram repetidos por dezenas de gregos nas ruas de Atenas. Eles disseram não se arrepender de punir o establishment do governo que esteve à frente do país em cinco anos de recessão, desemprego crescente, salários em queda e corrupção desenfreada.

Eles afirmaram que querem ter certeza de que a mensagem deles seja ouvida na Grécia e na Europa: desejam permanecer com o euro, mas não querem mais sofrimento.

Os partidos Nova Democracia (conservador) e Movimento Socialista Pan-Helénico - Pasok (socialista) se alternam no governo da Grécia desde a queda da junta militar em 1974. No ano passado, a apenas algumas semanas da bancarrota, eles formaram uma coalizão e negociaram juntos um socorro financeiro de 130 bilhões de euros com FMI e UE.

Líderes da UE têm deixado claro desde domingo que a Grécia precisa se ater às reformas negociadas em troca do socorro, incluindo a demissão de funcionários públicos, a redução dos salários e o aumento dos impostos, para continuar recebendo a ajuda e permanecer dentro do euro.

Os gregos afirmam que querem um plano de resgate que não prejudique tanto a classe média nem os mais pobres.

"Queremos ficar no euro. Queremos estar de igual para igual com os outros povos e não sermos apenas escravos de alguns países", disse o funcionário público Dimitris Nasis, de 62 anos, que votou em um pequeno partido de esquerda.

Os dois principais partidos da Grécia estão mais perto do poder do que a parcela de 32 por cento da eleição pode sugerir, e provavelmente apostam que podem obter um mandato em uma nova eleição.

Dentro das regras feitas para facilitar a formação de um governo, o Nova Democracia recebeu um bônus de 50 assentos adicionais no Parlamento de 300 lugares por ter ficado em primeiro lugar. Junto com o Pasok, fica apenas com dois lugares a menos do que os 151 necessários para formar um governo.

(Reportagem adicional de Karolina Tagaris)

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