Eluana Englaro continua com alimentação interrompida

Pai da paciente, que luta há doze anos pela suspensão do tratamento, diz estar 'dando voz à vontade da filha'

Efe

08 de fevereiro de 2009 | 10h24

Os médicos continuam neste domingo, 8, pelo segundo dia consecutivo, sem oferecer alimentação e hidratação a Eluana Englaro, a italiana que se encontra em estado vegetativo há 17 anos e a quem sua família quer ajudar a morrer.  Veja também Você concorda com a decisão de deixar Eluana morrer?Perguntas e respostas: entenda o caso Veja tudo que foi publicado sobre o caso de Eluana Englaro O pai de Eluana, Beppino Engarlo, disse em entrevista que "não fez mais do que dar voz a Eluana". Beppino questinou a Igreja Católica, que tenta se impor em um caso que ele "viveu com mais dor do que qualquer um outro". O neurologista Carlo Alberto Defanti, quem cuida de Eluana, de 38 anos, desde que esta sofreu o acidente de trânsito que a deixou em coma, em 1992, disse à agência de notícias italiana Ansa que, "por enquanto, as condições clínicas são estáveis", e confirmou que continua "a suspensão total da nutrição artificial". Beppino afirma que a decisão de interrmoper a alimentação e hidratação de sua filha seria por vontade da própria. Ele lembra o caso de uma amiga de Eluana que sofreu um acidente e ficou em estado semelhante. Eluana, ao tomar conhecimento da condição da amiga, teria afirmado que não gostaria de permanecer viva se um dia ficasse numa situação dessas. A equipe de médicos que se ofereceu como voluntária para ajudar no procedimento de Eluana, internada desde 2 de fevereiro na clínica La Quiete, em Udine, no nordeste da Itália, suspendeu nesse sábado totalmente a alimentação e hidratação por sonda à italiana. O protocolo médico consiste agora em administrar apenas sedativos e antiepilépticos, enquanto se espera a morte por desidratação, que, segundo os especialistas, pode ocorrer em cerca de 15 dias. Enquanto isso, o Senado examinará nesta segunda, 9, o projeto de lei apresentado pelo Governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi - que, especificamente, proíbe a suspensão da hidratação e da alimentação a qualquer tipo de paciente -, com o objetivo de impedir a morte de Eluana. Berlusconi espera que a medida seja transformada em lei no tempo recorde de dois ou três dias, para que não seja tarde demais para "salvar" Eluana. Para que a lei entre em vigor, é necessária a assinatura do presidente italiano, Giorgio Napolitano, e sua publicação no Boletim do Estado, o que poderia ocorrer por volta de 13 de fevereiro. No entanto, alguns especialistas consultados pela imprena italiana afirmam que, dentro de dois ou três dias, as conições físicas de Eluana já podem ser irreversíveis.

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