Divulgação/Álbum de família
Divulgação/Álbum de família

Em julgamento na Suíça, Paula Oliveira diz ter sido agredida

Brasileira acusada de forjar ataque neonazista muda depoimento dado à polícia e afirma que foi atacada

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo,

16 de dezembro de 2009 | 08h57

A brasileira Paula Oliveira, acusada de forjar um ataque de neonazistas na Suíça, disse nesta quarta-feira, 16, a um juiz do tribunal de Zurique, que não se lembra de ter se auto flagelado, e manteve a primeira versão dada a polícia sobre o caso, de que teria sido atacada.

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"Eu fui agredida", disse. "Essa versão dos fatos correspondem à verdade que está gravada na minha cabeça," afirmou. Nos dias seguintes à suposta agressão em fevereiro, Paula confessou à polícia de Zurique que tudo não havia passado de uma farsa. Agora ela apresenta uma nova versão dos fatos em seu julgamento. O advogado de defesa da brasileira tenta apresentar Paula Oliveira como alguém que sofre de problemas psiquiátricos.

 

Paula, que até esta quarta-feira tem seu passaporte retido pela Justiça, está respondendo no Tribunal de Zurique pelo crime de "induzir a justiça ao erro". Segundo o Estado apurou, a brasileira pode ser condenada a pagar uma multa de R$ 10 mil pela armação.

 

A Procuradoria de Zurique, que por sete meses investigou o caso, não pediu que a brasileira seja presa por considerar que uma pena financeira já seria suficiente. Ainda assim, os suíços decidiram aliviar a situação da brasileira. O pedido é para que ela pague os R$ 10 mil apenas se cometer uma nova infração.

Em fevereiro, a brasileira chamou a polícia e afirmou que havia sofrido um ataque na periferia de Zurique. Ela dizia estar grávida e ter sido agredida por neonazistas. Em seu primeiro depoimento, Paula diz ter sofrido um aborto de gêmeos e o caso mobilizou a diplomacia brasileira. 

O  governo chegou a preparar uma ação na ONU, alegando um ataque xenófobo, e um verdadeiro circo político foi montado para atender a brasileira.

Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a fazer declarações, apontando para a "incrível violência contra uma mulher brasileira no exterior". Outros ministros lembraram o Holocausto. O pai da brasileira, Paulo Oliveira, era assessor de um parlamentar.

Agora, a ordem é sigilo total diante da acusação de armação. Para a polícia, Paula confessou nos dias seguintes ao ataque que tudo não passava de uma armação. Um laudo médico feito pela Universidade de Zurique provou que ela não estava grávida.

Seu pai, Paulo Oliveira, continuou mantendo por semanas a tese de que não duvidaria da palavra de sua filha. Um processo foi aberto contra a brasileira e ela foi formalmente acusada. Caberá a um juiz do Tribunal de Zurique decidir a pena e se Paula sofria de distúrbios mentais. A procuradoria sequer citou o fator psiquiátrico na denúncia.

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