Em Londres, professora presa no Sudão diz que a trataram bem

Acusada de ofender o islamismo ao deixar que alunos apelidassem brinquedo de 'Maomé' retorna ao Reino Unido

Efe,

04 de dezembro de 2007 | 06h15

A professora Gillian Gibbons, que passou oito dias detida no Sudão por permitir que seus alunos pusessem o nome de Maomé em um urso de pelúcia, chegou nesta terça-feira, 4, a Londres após ser indultada pelo presidente sudanês, Omar al-Bashir.   Segundo a imprensa britânica, a professora chegou ao aeroporto de Heathrow por volta das 5 horas (de Brasília).  Numa declaração lida à imprensa, a Gibbons disse que estava "impressionada" com o ocorrido, mas afirmou que todos foram amáveis com ela."Lamento ter deixado o Sudão. Vivi maravilhosamente (lá). É um lugar bonito e tive a possibilidade de ver um pouco o campo. A população sudanesa é extremamente amável e generosa, e tive uma experiência boa até com o que ocorreu", afirmou Gillian, em companhia do filho John.   Gibbons, de 54 anos, foi indultada depois de dois parlamentares britânicos muçulmanos se reunirem com o presidente sudanês para solicitar a sua libertação. O trabalhista Nazir Ahmed e a baronesa Sayeeda Hussain Warsi, conservadora, ambos membros da Câmara dos Lordes, foram a Cartum para se reunir com Bashir.   A professora, que começou a trabalhar na escola em agosto, teria pedido o ursinho de pelúcia de uma menina de sete anos emprestado e sugeriu que seus colegas dessem um nome a ele. Dos 23 alunos, 22 votaram no nome Maomé para o brinquedo. Ela foi acusada de ofender a religião e incitar ao ódio, e condenada a 15 dias de prisão.   O ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, convocou em duas ocasiões o embaixador sudanês em Londres, Omer Mohammed Ahmed Siddig, para protestar e exigir a libertação de Gibbons, nascida em Liverpool.   Miliband afirmou que a professora cometeu um "erro inocente" e manifestou sua esperança de que o "bom senso" pudesse prevalecer. Após o indulto, a professora lamentou as ofensas causadas e afirmou que tem um grande respeito pelo Islã.     O diretor da escola explicou que as crianças tinham que levar o ursinho para suas casas nos finais de semana e cada um teria de descrever o que fazia com ele. Os comentários dos pequenos foram colocados num livro cuja capa estampava uma fotografia do ursinho com a legenda: "Meu nome é Maomé".   Ao tomar conhecimento do livro, a União Superior de Escolas Sudanesas decidiu suspender a britânica e divulgou um pedido oficial de desculpas aos alunos, seus familiares e a todos os muçulmanos. A direção do colégio particular.

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