Em meio a pressão ocidental, Rússia promete sair da Geórgia

União Européia e Estados Unidos falam em sanções contra Moscou caso acordo não seja respeitado

AP

18 de agosto de 2008 | 02h38

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, prometeu começar a retirar tropas da Geórgia nesta segunda-feira, 18, mas deixou no ar a possibilidade das forças do país permanecerem na província separatista pró-Moscou da Ossétia do Sul. Segundo o cessar-fogo acertado com a Geórgia e a União Européia na semana passada, as tropas devem se retirar também da província. A promessa acontece em meio a forte pressão da União Européia e dos Estados Unidos. Veja também: Um miliciano mirou o fuzil no meu peito e pulei na estrada", diz correspondente do Estado  EUA devem reavaliar relação com Rússia' Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   De acordo com o chefe do comitê de Relações Exteriores do Parlamento Russo, Konstantin Kosachev, as tropas devem sair da Geórgia mais cedo ou mais tarde. "Quanto tempo isto vai levar depende de como os georgianos vão se comportar", disse.   Medvedev anunciou a retirada no domingo, após uma reunião com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que ocupa temporariamente a presidência da União Européia. Na ocasião, o líder francês alertou Medvedev de que as relações entre a Rússia e a UE sofreriam sérias conseqüências se Moscou não cumprisse o cessar-fogo estabelecido na semana passada.     Mais tarde, em um artigo escrito para o jornal francês Le Figaro, afirmou que se a Rússia não se retirar para as posições anteriores ao conflito de 7 de agosto, ele irá convocar uma reunião extraordinária do conselho da União Européia. Em Gori, uma cidade estratégica no centro da Geórgia, há sinais de uma distensão da presença russa, mas a situação humanitária ainda é caótica. Georgianos desesperados brigam por pedaços de pão distribuídos por veículos de ajuda humanitária. Todas as lojas estão fechadas e as ruas ficaram vazias. Críticas dos EUAMembros do alto escalão do governo George W. Bush voltaram a pressionar a Rússia no domingo. O secretário de Defesa, Robert Gates, comparou a ação de Moscou com os tempos da Guerra Fria. "Uma resposta forte e unificada precisa ser dada à Rússia. Este tipo de comportamento, típico do período soviético, não tem lugar no século XXI", disse.   A secretária de Estado, Condoleezza Rice, viajou para a Europa nesta segunda-feira para discutir punições que os EUA e a comunidade internacional podem tomar. "A Rússia não pode usar força desproporcional contra seus vizinhos e ser aceita pelas organizações multilaterais internacionais", disse, sobre as pretensões russas de ingresso na Organização Mundial do Comércio (OMC)."Não vai ser assim. A Rússia pagará um preço", completou.   A Geórgia atacou a província separatista pró-russa da Ossétia do Sul no último dia 7. Em resposta, a Rússia invadiu a Geórgia e ocupou boa parte do país, estratégico na distribuição do petróleo e do gás do Mar Cáspio.

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