Em Paris, começa a conferência de doadores aos palestinos

Objetivo é conseguir os US$ 5,6 bilhões necessários para a economia palestina nos próximos três anos

Efe,

17 de dezembro de 2007 | 09h21

A Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia) lançará em fevereiro de 2008 um novo mecanismo para retomar a ajuda direta à Autoridade Nacional Palestina (ANP), suspensa durante quase dois anos, e destinará US$ 650 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhões) em 2008 aos palestinos, anunciou nesta segunda, 17, a comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner. "É hora de trabalhar diretamente com a ANP", disse ela. A ANP espera arrecadar os US$ 5,6 bilhões necessários para a aplicação do programa de reformas palestino no período 2008-2010. A conferência internacional de doadores para os palestinos foi aberta, a pedido do ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, com um minuto de silêncio pelas vítimas dos recentes atentados islâmicos na Argélia, em particular os funcionários da ONU que morreram no ataque terrorista. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que abriu aconferência, anunciou uma contribuição de "pouco mais" de 200 milhões de euros (US$ 300 milhões) nos próximos três anos à Autoridade Nacional Palestina (ANP). Sarkozy, que abriu o encontro que reúne na capital francesa representantes de 90 países e organizações internacionais, pediu um "esforço financeiro excepcional" para acompanhar "um contexto excepcional" surgido na conferência de paz em Annapolis de 27 de novembro e que deve começar a ser percebido no primeiro semestre do próximo ano. O presidente francês disse que a contribuição financeira que sair da reunião de Paris deve servir para oferecer um "apoio imediato a toda a população palestina", incluindo a da Faixa de Gaza - sob controle do Hamas - sustentar a economia dos territórios ocupados e "acompanhar a edificação progressiva de um Estado moderno". Pegase O novo mecanismo elaborado pela Comissão Européia e batizado de Pegase, estará aberto a outros doadores internacionais e permitirá canalizar a ajuda diretamente à ANP ou aos "beneficiados" de planos de desenvolvimento social, econômico, setor privado e infra-estruturas públicas, disse Ferrero-Waldner. Esta nova estratégia colocará fim ao sistema temporário Tim, que o Executivo da União Européia iniciou após a vitória eleitoral do Hamas em 2006, considerado uma organização terrorista pela UE, a fim de continuar a ajuda ao povo palestino, evitando passar pela via governamental. No entanto, após a dissolução em junho do Governo de união nacional integrado pelo Hamas e pelo Fatah - movimento do presidente da ANP, Mahmoud Abbas -, a Comissão Européia começou a estudar uma forma de restabelecer as ajudas diretas. Ferrero-Waldner também anunciou que a CE, principal doador aos palestinos, destinará 440 milhões de euros em 2008 em doações, dos quais 115 milhões de euros serão canalizados através de organizações humanitárias. A outra parte servirá para implementar o plano de reformas do Governo da ANP. Em contrapartida, a comissária pediu que os palestinos façam da segurança uma de suas prioridades, e solicitou que Israel "suspenda as restrições de movimento e de acesso" nos territórios, uma medida indispensável para "relançar a economia palestina".

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