Em protestos nas ruas, gregos mostram aversão a autoridade

Uma coisa os protestos em Atenas nos últimos seis dias deixam claro: o pouco caso instintivo dos gregos com a autoridade. A morte de um adolescente pela polícia no dia 6 de dezembro deflagrou uma onda de fúria na população, cansada após anos de privação econômica. Milhares de pessoas têm tomado as ruas na maior agitação social no país em décadas. Os tumultos têm tornado mais evidente o desdém com a autoridade e o descontentamento em acatar ordens que estão no profundo da psique grega e podem ser observados, dizem alguns, nas histórias sobre a Grécia antiga. "Os gregos são anti-autoritarismo e sempre precisam se fazer ouvidos. Eles não gostam da autoridade", disse o pesquisador James Ker-Lindsay, do Observatório Helênico da London School of Economics. Leônidas de Esparta estabeleceu o tom na Batalha das Termópilas, em 480 a.C. Quando o Exército persa, invasor, ordenou que os espartanos -- que estavam em menor número -- largassem suas armas, a resposta foi: "Molon Labe", ou seja, venham pegá-las. Até hoje, a expressão permanece como lema do Exército grego. Um dos dias mais importantes no calendário grego é o 28 de outubro, conhecido como Ohi, que significa "não" em grego. Ele celebra o dia em que a Grécia recebeu um ultimato da Itália para permitir que as forças do Eixo entrassem em território grego. Os gregos preferiram entrar em guerra. "Eles (os gregos) não gostam de receber ordens e eles não abaixam a cabeça facilmente", afirmou Ker-Lindsay. A ira grega hoje em dia é dirigida à polícia. Fresca na memória da população, está a mão pesada da polícia durante o governo militar, de 1967 a 1974. Mesmo em épocas mais calmas, no entanto, é difícil passar mais que uma semana sem uma ou outra manifestação em Atenas, a capital de quatro milhões de pessoas, normalmente com tráfego congestionado. Um analista afirma que a maior parte das manifestações é mais um sintoma de desapontamento pessoal do que uma demonstração de ativismo político. "É uma sociedade segmentada... Eles realmente não participam do que está acontecendo, a não ser que seja de seu próprio interesse", disse Thano Veremis, professor de história moderna da Universidade de Atenas.

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