Em recado a Berlusconi, Vaticano cobra 'moral' de políticos italianos

Primeiro-ministro italiano é acusado de se envolver com uma menor em caso de prostituição

PHILI, REUTERS

20 de janeiro de 2011 | 17h37

PULLELLA - O Vaticano finalmente se pronunciou nesta quinta-feira, 20, sobre o novo escândalo sexual que abala o governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, ao declarar que os políticos italianos precisam demonstrar uma "moralidade robusta."

O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano e inferior apenas ao papa Bento 16 na hierarquia da Igreja Católica, disse que o Vaticano está "particularmente preocupado" com o impacto do escândalo na Itália.

No intervalo de um evento eclesiástico, Bertone foi questionado sobre a investigação a respeito da suposta contratação de prostitutas -- inclusive uma menor de idade -- para festas na mansão de Berlusconi.

"A Igreja estimula e convida todos, acima de tudo aqueles que detêm responsabilidades públicas em qualquer área administrativa, política e judicial, a se comprometerem com uma moralidade mais robusta, um senso de justiça e legalidade", disse o cardeal.

Berlusconi nega ter tido relações com prostitutas, e se diz vítima de uma perseguição de juízes com motivações políticas.

O primeiro-ministro se envolveu em outros escândalos sexuais nos últimos dois anos. Eles claramente irritaram o Vaticano, que ainda exerce notável influência sobre a política italiana, mas até agora a Igreja evitara se pronunciar explicitamente, já que a hierarquia eclesiástica se sente mais confortável com a presença de um governo conservador em Roma.

Mas as novas declarações de Bertone sugerem que o novo escândalo passou dos limites.

Os jornais italianos estão repletos de detalhes sobre as festas na mansão de Berlusconi, nos arredores de Milão. O pivô do caso é uma marroquina conhecida com Ruby, que aos 17 anos teria recebido 7.000 euros para ir a um desses eventos. Ela diz, no entanto, que não dormiu com o premiê.

A imprensa também divulgou transcrições de uma gravação em que Ruby teria pedido 5 milhões de euros pelo silêncio de Berlusconi. Ela nega ter cometido a chantagem.

Bertone disse que o Vaticano se preocupa com os efeitos dessas notícias sobre as famílias, os jovens e as futuras gerações.

Ele disse que os italianos gostariam de ver um "comportamento exemplar" de seus políticos, os quais teriam de se preocupar acima de tudo "com os problemas que pesam sobre a sociedade italiana."

Nesta semana, o L'Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, publicou uma declaração do presidente da Itália, Giorgio Napolitano, em que ele se dizia muito preocupado com o efeito da crise sobre a estabilidade do país.

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