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Em retaliação, Rússia expulsa dois funcionários da Otan

Decisão é uma resposta à expulsão de dois diplomatas russos de Bruxelas acusados de espionagem

Agências internacionais,

06 de maio de 2009 | 06h01

 O ministério de Relações Exteriores da Rússia informou nesta quarta-feira, 6, que a chefe do Escritório de Informação da Otan em Moscou e outro funcionário dessa instituição foram privados de suas credenciais diplomáticas. A decisão é uma resposta à expulsão de dois diplomatas russos de Bruxelas por espionagem.

 

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Os dois oficiais da Otan fazem parte ainda da missão diplomática do Canadá na Rússia, informou a agência oficial RIA Novosti, acrescentando que a notificação foi entregue ao embaixador canadense em Moscou, Ralph Lysyshyn, na sede do Ministério de Relações Exteriores russo. O chefe da missão canadense "foi informado de que a Rússia se viu obrigada a privar de suas credenciais diplomáticas a diretora do Escritório de Informação da Otan, Isabelle François, e Mark Opgenroth, outro funcionário do escritório", assinalou a Chancelaria russa em comunicado.

 

O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que a decisão de expulsar os diplomatas canadenses do Escritório de Informação da Otan foi lógica em resposta à medida adotada contra os oficiais russos. A organização expulsou Vasily Chizhov, que é filho do embaixador da Rússia na União Europeia e trabalhava como adido e secretário da missão russa na Otan. O segundo diplomata expulso é Viktor Kochukov, que era assessor do alto escalão da missão da Rússia e chefe do Departamento de Política.

 

Os diplomatas ocidentais justificaram a medida afirmando que Chizhov e Kochukov trabalhavam secretamente como agentes de inteligência. De acordo com essas fontes, os russos foram expulsos pelo escândalo de espionagem envolvendo o funcionário da Estônia Herman Simm, sentenciado a 12 anos de prisão em fevereiro por entregar ao Serviço de Inteligência Externo Russo mais de 2 mil páginas de informações.

 

"São as leis do gênero e nossos sócios da Otan, ao menos os que apoiaram a expulsão dos nossos diplomatas, não poderiam esperar outra coisa", afirmou o chanceler em entrevista coletiva. Ele disse ainda que a diplomacia russa quer "uma cooperação normal de respeito e benefício mútuo com a Aliança Atlântica". "Queremos um trabalho normal, pragmático, respeitoso do Conselho Otan-Rússia sobre a base dos princípios estabelecidos quando o mecanismo foi criado", acrescentou.

 

O chanceler assinalou ainda que as relações entre a Rússia e a Otan serão discutidas durante sua próxima visita aos EUA, onde deve se reunir com a secretária de Estado Hillary Clinton. "Sem dúvida abordaremos todo o leque de nossas relações no marco do Conselho Otan-Rússia. Sem dúvida, discutiremos também a situação alarmante se que mantém na Transcaucásia, principalmente por conta das ações provocadoras que de tempo em tempo são empreendidas pelo governo da Geórgia".

 

A Otan considerou a suspensão das credenciais diplomáticas como "infeliz e contraproducente com os esforços para restaurar o diálogo e a cooperação com a Rússia". Entretanto, a entidade destacou que a decisão de retomar as relações formais bilaterais "permanece". O secretário-geral da organização, Jaap de Hoop Scheffer, afirmou em comunicado que a Otan lamenta profundamente a ação russa e considera que não tem nenhuma justificativa.

 

O embaixador da Rússia na Otan, Dmitri Rogozin, confirmou que o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov, não participará da reunião ministerial do Conselho Otan-Rússia que estava prevista para 18 e 19 de maio em Bruxelas, como ele mesmo tinha anunciado horas antes. Moscou considerou "inoportuna" a realização dessa reunião devido à expulsão de seus dois funcionários e às manobras militares que a Otan iniciou nesta quarta na Geórgia, apesar de sua clara oposição.

 

Na terça-feira, o governo da Geórgia disse que centenas de soldados se renderam depois de um breve motim em uma base militar próxima à capital, Tbilisi. A intenção seria atrapalhar os exercícios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) previstos para começar nesta quarta. Inicialmente, as autoridades georgianas acusaram a Rússia de apoiar a rebelião e o Ministério do Interior chegou a informar que o plano era derrubar o presidente Mikhail Saakashvili. Depois, o governo voltou atrás nas declarações e os motivos da sublevação ficaram sem explicação oficial. O episódio intensificou ainda mais a tensão na região, que ainda está abalada pela breve guerra entre Moscou e Tbilisi em agosto.

Matéria atualizada às 13h.

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