Em votação disputada, UE escolhe presidente e chanceler

Com novos cargos, bloco europeu terá pela primeira vez uma liderança única e visível

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2009 | 07h35

Dois consensos, em meio a um mar de divergências que caracteriza a União Europeia, é o que buscarão hoje, em Bruxelas, chefes de Estado e de governo dos 27 países do bloco. Em cúpula extraordinária do Conselho Europeu, eles votarão para escolher os nomes de um presidente e de um alto representante para as Relações Exteriores. Se há dois meses o nome do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair era o favorito absoluto, agora oito candidatos disputam o cargo, em votação que se anuncia imprevisível.

As duas funções serão criadas pelo Tratado de Lisboa, a "versão light" da Constituição europeia, cuja entrada em vigor está marcada para 1.° de dezembro. A partir de então, a UE se parecerá um pouco mais com uma federação de Estados, e as faces visíveis do bloco serão o presidente, ao qual caberá o papel de administrador de consensos entre os 27 líderes nacionais e de orientação política, e o chanceler, super-representante de política externa da UE, cujos mandatos terão dois anos e meio, renováveis por igual período. "Chegou o momento de termos uma personalidade que poderá imprimir uma marca europeia", definiu o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner.

Nos últimos 30 dias, os nomes cogitados para os dois cargos se proliferaram (veja quadro). Segundo as últimas consultas diplomáticas, Herman Van Rompuy, da Bélgica, desponta como favorito, mas Blair, com o pesado apoio da Grã-Bretanha e a simpatia da França, ainda mantem suas chances.

Entre os candidatos a chanceler, ganham destaque David Milliband, atual chanceler britânico, Massimo D''Alema, ex-primeiro-ministro da Itália, Olli Rehn, finlandês e ex-comissário de Expansão da UE, e Carl Bildt, ex-premiê da Suécia.

Em meio às incertezas, de concreto sabe-se que a dupla Blair-Milliband, por serem de um mesmo país - a eurocética Grã-Bretanha, que não adota o euro, nem faz parte do acordo de livre circulação de pessoas -, é inviável. Outra orientação é a representatividade dos "pequenos países" e o equilíbrio entre França e Alemanha, que, não por acaso, não apresentaram candidatos. Além de tudo, pesa o acerto entre o Partido Popular Europeu (PPE) e o Partido Socialista Europeu (PSE), para que o presidente seja oriundo da direita.

NO PÁREO PARA A PRESIDÊNCIA

Herman Van Rompuy - Premiê belga é favorito para o posto por preencher os dois critérios exigidos pela maioria dos líderes da UE: ser de centro-direita e líder de um país de pouca importância

Jan Peter Balkenende - Premiê da Holanda por quatro governos sucessivos, é um veterano de centro-direita, mas o fato de seu país ter rejeitado a Constituição da UE em 2005 pesa contra ele

Tony Blair - Nome reconhecido internacionalmente, ex-premiê britânico pode sair vitorioso se não houver consenso sobre outros candidatos. Principal ponto fraco foi ter apoiado guerra no Iraque

Jean-Claude Juncker - Líder europeu há mais tempo no poder, primeiro-ministro de Luxemburgo sofre oposição da Grã-Bretanha

Paavo Tapio Lipponen - Ex-premiê finlandês é tido como criador do conceito de Constituição europeia, mas Polônia bloqueia sua candidatura por laços com Rússia

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