Empresário deu 18 festas com prostitutas para Berlusconi

Mais informações dos escândalos apontam que mulheres recebiam até mil euros para manter relações sexuais

09 de setembro de 2009 | 14h08

As informações de que 30 mulheres participaram de 18 festas organizadas pelo primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, e que algumas receberam dinheiro para manter relações sexuais com os convidados ampliaram os problemas do líder italiano, num momento em que surgem especulações de que seu poder está diminuindo. As mulheres recebiam dinheiro para ir às festas e mil euros para manter relações sexuais. Entre elas está a modelo brasileira Camilla Cordeiro Charão, segundo afirma o jornal Corriere della Sera.

 

As novas informações de escândalos sexuais, que o perseguem desde maio e irritaram a poderosa Igreja Católica, foram divulgados nesta quarta-feira, 9, pelos jornais italianos citando depoimento do empresário Gianpaolo Tarantini.  Uma fonte do gabinete do premiê disse que não comentaria sobre as informações divulgadas pelos jornais, que sugerem que Berlusconi esteve com muito mais mulheres jovens do que se suspeitava até então.

 

O Corriere de La Sera e o La Stampa citaram novas provas utilizadas em um tribunal de Bari, no sul da Itália, relacionadas às atividades do empresário Gianpaolo Tarantini. As provas mostram que as mulheres recebiam dinheiro para participar das festas e mais mil euros para "serviços sexuais", dando nomes de figuras públicas que incluíam participantes de um reality show entre as garotas contratadas.

 

Os jornais informam que Tarantini disse aos promotores da cidade de Bari que algumas das 30 mulheres contratadas estavam dispostas a fazer sexo "se a vontade aparecesse" em quaisquer das 18 festas. Entre as mulheres que, segundo Tarantini, receberam 1.000 euros dele estava Patrizia D'Addario, uma prostituta que alegou em entrevistas ter passado a noite com Berlusconi em Roma. Berlusconi disse que não conhece Patrizia e negou ter pago para fazer sexo com qualquer mulher.

 

"A prostituição e a cocaína são a chave do sucesso na sociedade", afirmou Tarantini ao juiz Giuseppe Scelsi, que lidera uma investigação por suposta exploração sexual de prostitutas. Segundo os diários, Tarantini disse aos investigadores que buscava se aproximar do primeiro-ministro a fim de obter futuras vantagens em contratos com o governo. "A prostituição e a cocaína são os ingredientes para se obter sucesso na sociedade", afirmou Tarantini aos promotores, segundo o La Stampa. "Eu as apresentei como minhas amigas, e não falei que às vezes as pagava", contou Tarantini, segundo o Corriere della Sera.

 

Tarantini afirma, no entanto, que Berlusconi não sabia que as mulheres recebiam dinheiro (mil euros) para manter relação sexual com ele, nem mesmo que eram pagos os gastos com deslocamento e o hotel de luxo em que ficava hospedado. "Apresentei-as como minhas amigas e mantive silêncio sobre suas identidades", disse Tarantini, citado nas fitas. A declaração confirma a afirmação famosa do advogado de Berlusconi, Niccolò Ghedini, que afirma que o premiê não cometeu nenhum delito, pois era somente um "usuário final" das prostitutas.

 

Berlusconi confessou durante o escândalo que "não era santo". Mas denuncia o que considera como uma campanha de esquerda para prejudicá-lo e já abriu processos contra vários jornais italianos e estrangeiros no caso.

 

Os escândalos custaram a Berlusconi parte do apoio que tinha entre os eleitores católicos. Mesmo que o premiê diga que tem um índice de aprovação próximo aos 70% a maioria das pesquisas indica que o nível está próximo dos 50%. "O declínio de Berlusconi pode ter começado, como especulam seus inimigos e alguns aliados. Mas ainda deve-se ver onde e como ocorrerá e, sobretudo, não está claro quem será beneficiado", publicou o Corriere de La Sera.

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