Empresários espanhóis acusam ETA de extorsão

Cartas com ameaças são enviadas desde o mês de junho, exigindo o pagamento de até 300 mil euros

TERESA LARRAZ, REUTERS

06 de agosto de 2007 | 10h49

Centenas de empresários espanhóis, inclusive de regiões bascas, estão recebendo cartas em que o grupo separatista ETA, em tom de ameaça, exige o pagamento de quantias que em alguns casos superam os 300 mil euros, disse na segunda-feira uma fonte do setor."De forma tradicional, o ETA a cada quatro, cinco ou seis meses mandava um número reduzido de cartas a empresários, mas agora falamos de um envio contínuo e importante", afirmou o presidente da Confederação de Empresários de Navarra (CEN), José Manuel Ayesa, à Rádio Nacional da Espanha. Navarra, no norte da Espanha, é considerada parte do País Basco pelos separatistas.Vários jornais reproduziram no domingo exemplo dessas cartas, em que o grupo ameaça "decidir ações" contra empresários que não pagarem."Enquanto durar o conflito, enquanto forem negados seus direitos à Euskal Herria (o País Basco) e enquanto os cidadãos bascos forem obrigados a dar dinheiro para pagar infra-estruturas políticas e militares estrangeiras, será preciso um grande esforço econômico", diz a carta, nos idiomas basco e castelhano.Depois de receber a notícia, o ministro da Justiça, Mariano Fernández-Bermejo, pediu na segunda-feira aos empresários navarros e bascos que denunciem as ameaças do ETA."Há uma vontade muito firme nas forças de segurança de atuar, e seria bom que denunciassem esses fatos e obviamente que resistam à tentação de pagar", declarou o ministro a jornalistas.Segundo Ayesa, as cartas chegam desde o final de junho, "de uma forma constante e reiterada", com uma linguagem "um pouquinho mais dura, e as quantidades (das cartas) são maiores".O dirigente empresarial disse ser "impossível" estimar o número de vítimas da extorsão, já que muitos não denunciam o fato às autoridades e órgãos do setor."A base de dados de que o ETA dispõe e está usando é de centenas de empresários", afirmou Ayesa, acrescentando que alguns recebem as cartas pela primeira vez, enquanto outros, que já pagaram, continuam sendo alvo, "porque o fato de pagar não exime ninguém".

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