Entenda a disputa entre sindicatos e o governo francês

Trabalhadores lutam contra reformas propostas por Sarkozy e que foram apresentadas durante eleição

14 de novembro de 2007 | 13h52

As greves convocadas pelas estatais francesas de transportes e energia têm provocado o caos no país. Os grevistas protestam contra a reforma previdenciária proposta pelo presidente Nicolas Sarkozy. A paralisação em vigor nesta semana é o maior teste político para as reformas do chefe de governo desde a sua eleição, em maio.  Sarkozy tem amplo apoio popular para uma reforma que retiraria privilégios previdenciários de 500 mil funcionários públicos. Porém, muitos já comparam a paralisação atual à grande greve de 1995, que deixou a França sem transportes durante várias semanas, em razão do mesmo motivo: a reforma dos regimes especiais de aposentadoria desses servidores. O chamado "regime especial" para algumas categorias do funcionalismo público permite a aposentadoria após 37,5 anos de contribuições, em vez dos 40 anos dos demais trabalhadores franceses.  Esse privilégio foi instituído após a Segunda Guerra Mundial, para beneficiar trabalhadores em funções especialmente árduas. O governo argumenta que o sistema é ultrapassado, já que custa 5 bilhões de euros (US$ 7,3 bilhões) por ano. A mobilização desta semana inclui ainda os funcionários das estatais de gás e eletricidade, que também são atingidos pela reforma das aposentadorias especiais. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, quer equiparar o sistema de aposentadorias especiais da categoria ao dos outros servidores públicos.  Uma pesquisa da revista L'Express mostrou que 58% do s entrevistados acham que o governo não deveria recuar. Outra pesquisa, que saiu no direitista Le Figaro, indicou que 84% apóiam Sarkozy nesse tema. Reforma universitária Estudantes universitários estão fazendo greve para protestar contra outra reforma, a que prevê a autonomia financeira e administrativa das faculdades. O movimento vem ganhando força nos últimos dias. Cerca de 20 universidades, de um total de 85, estão parcialmente ou totalmente paralisadas. A nova lei prevê, por exemplo, que as faculdades possam realizar parcerias com empresas, o que os estudantes consideram uma "privatização" do ensino superior. Os universitários participarão das passeatas dos ferroviários e funcionários dos setores de gás e eletricidade previstas em todo o país. Na terça-feira, estudantes tentaram bloquear trilhos nas estações de trens, mas foram impedidos pela polícia.

Tudo o que sabemos sobre:
greveFrança

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.