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Entenda o escândalo de gastos dos parlamentares britânicos

Contas pagas com dinheiro público incluem desde despesas com reformas a aluguel de filmes pornográficos

19 de maio de 2009 | 16h47

O escândalo dos políticos britânicos que utilizaram fundos públicos para pagar contas pessoais foi revelado no início do mês pelo jornal The Daily Telegraph, que publicou detalhes sobre as despesas de parlamentares desde 2004. O premiê britânico, Gordon Brown, e seu rival conservador, David Cameron, estão sob grande pressão para limpar a imagem do Parlamento após o escândalo vir a público.

 

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Segundo a BBC Brasil, entre as denúncias estão as de que políticos usaram o auxílio-moradia para reformar a própria casa e pagar prestações de imóveis. Além disso, ganharam destaques denúncias de despesas curiosas - parlamentares e ministros do governo, por exemplo, usaram dinheiro público para pagar filmes pornográficos, esterco de cavalo e coroas de flores para soldados mortos.

 

O próprio Brown ficou envergonhado com relatos de que pagou a seu irmão, Andrew, 6.500 libras (US$ 9.800) de dinheiro público por serviços de limpeza entre 2004 e 2006, antes de se tornar primeiro-ministro. A divulgação dos gastos enfureceu a população e ameaça afetar os resultados das eleições locais previstas para o próximo mês.

 

O escândalo atingiu todos os principais partidos políticos, mas afeta diretamente o Trabalhista, após 12 anos no poder, destaca a agência Associated Press. A crise ganhou uma proporção tão grande a ponto do presidente da Câmara dos Comuns (Câmara Baixa), Michael Martin, renunciar, tornando-se o primeiro político britânico a deixar o cargo em mais de 300 anos.

 

COMO FUNCIONAVA

 

Parlamentares britânicos recebem um salário anual de 63.291 libras (US$ 96.430) e uma ajuda de custo para cobrir despesas de escritório, custos de manter uma residência adicional e gastos com transporte, entre outras despesas. De acordo com os últimos dados disponíveis, que são de outubro de 2007, os parlamentares britânicos receberam reembolsos anuais de, em média, 135.600 libras (US$ 206.600).

 

Entre as várias despesas reembolsáveis, uma em particular tem atraído a atenção dos militantes britânicos que fazem campanha pela transparência nos gastos públicos: a chamada ajuda adicional de custos. De acordo com a BBC Brasil, ela foi criada para cobrir gastos de parlamentares que precisam manter uma segunda residência, ou seja, foram eleitos em regiões eleitorais fora da capital, mas precisam comparecer às sessões do Parlamento, no centro de Londres, semanalmente.

 

Premiê Gordon Brown. Foto: Reuters 

A secretária para as Comunidades, a trabalhista Hazel Blears, por exemplo, designou três propriedades diferentes como sua "segunda residência" no período de um ano, usando dinheiro público para mobiliar ou para pagar juros sobre a hipoteca das casas.

 

No final desse período, a parlamentar vendeu uma das propriedades, lucrando cerca de US$ 68 mil com a operação. Outros, como a conservadora Cheryl Gillan, pediram reembolso de dinheiro usado para comprar comida para cachorro. E um ex-ministro conservador, Douglas Hogg, pediu reembolso de quase US$ 22 mil em salário pago para sua governanta. 

 

David Cameron pediu aos parlamentares que "peçam desculpas" pelo sistema de reembolsos. Brown se adiantou e foi o primeiro a vir a público para pedir desculpas. Mais de 20 políticos e ministros prometeram reembolsar o Estado pelo dinheiro que usaram para pagar despesas "desnecessárias."

 

Entretanto, embora haja consenso sobre a necessidade de uma reforma no sistema, a BBC Brasil ressalta que os parlamentares não conseguem chegar a um acordo sobre como substituir o esquema vigente. Uma proposta recente feita por Brown foi rejeitada por conservadores, liberais democratas e também por alguns trabalhistas.

 

EXEMPLOS DE GASTOS REEMBOLSADOS

 

- US$ 150 pelos serviços de um eletricista que trocou 25 lâmpadas queimadas;

- US$ 450 por reparos em um tapete chinês;

- Custos de aluguel de DVDs de filmes pornográficos.

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