Entrega de armas ao Irã foi apenas atrasada, diz Rússia

Razões técnicas impediram que mísseis S-300 fossem enviados ao país, segundo autoridades

Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 09h43

A entrega ao Irã de mísseis de defesa aérea avançados S-300, fabricados pela Rússia, foi atrasada apenas por razões técnicas, afirmou um alto funcionário russo na quarta-feira, 17, segundo a agência Interfax.

 

"O atraso é devido a problemas técnicos", afirmou Alexander Fomin, vice-chefe do Serviço Federal para Cooperação Técnico-Militar da Rússia, segundo a agência. "A entrega será feita assim que eles estejam resolvidos." O contrato russo para vender os mísseis terra-ar S-300 ao Irã gerou temor em EUA e Israel. Esses países acreditam que Teerã possa usar os sofisticados mísseis de defesa aérea para proteger suas instalações nucleares.

 

Potências ocidentais suspeitam que o Irã busque produzir armas atômicas, em um programa nuclear secreto camuflado por seu programa nuclear civil. O governo iraniano garante, porém, ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia.

 

Israel não descarta realizar ataques aéreos para evitar que o Irã adquira armas nucleares, enquanto autoridades americanas deram declarações divergentes sobre a possibilidade de uma ação militar. Analistas afirmam que os S-300 russos poderiam dificultar bastante um ataque aéreo do tipo.

 

Fomin, que tem entre as atribuições de seu escritório a exportação de armas, fez as declarações durante um evento do setor de Defesa em Nova Délhi, o DefExpo India 2010. Ele não esclareceu quais seriam esses problemas técnicos nem quanto levará para repará-los, segundo a Interfax.

 

A Rússia não tem divulgado informações sobre esse contrato com o Irã. Segundo a agência de notícias, ele prevê que Moscou venda cinco baterias de mísseis ao país persa, por cerca de US$ 800 milhões. O material é um sistema móvel, capaz de abater aeronaves e mísseis de cruzeiro.

 

O Irã já demonstrou frustração com o atraso na entrega. Na semana passada, um alto comandante iraniano afirmou que Teerã construirá seu próprio sistema de defesa aérea, que seria melhor ainda que o S-300.

 

Os comentários de Fomin sobre o atraso vêm a público em um momento em que a relação até então boa da Rússia com o Irã sofre com alguns ruídos, em meio à divergência internacional sobre o programa nuclear iraniano. Na terça-feira, Moscou se uniu a EUA e França para criticar o novo passo de Teerã de enriquecer urânio a porcentagens maiores.

 

A Rússia afirmou que não descarta uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança contra a república islâmica. Ao lado de EUA, China, França e Grã-Bretanha, a Rússia tem poder de veto nesse órgão da ONU. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, visitou Moscou esta semana, em uma tentativa de obter apoio do Kremlin a novas sanções ao Irã. As informações são da Dow Jones.

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