ENTREVISTA-Casos de contaminação nuclear aumentam na França

Muitos funcionários de instalaçõesnucleares da França estão sendo contaminados por pequenas dosesde radiação, afirmou na quinta-feira um grupo independente queavalia a segurança do setor. A declaração veio à tona um dia depois de um incidentenuclear ter ocorrido no sul do território francês. A Comissão Independente de Pesquisa e Informação sobre aRadiatividade (Criirad) também disse que uma quantidadecrescente de funcionários de instalações nucleares passou areclamar da degradação de suas condições de trabalho e doprovável impacto disso sobre a segurança. "Em menos de 15 dias, o Criirad foi informado de quatroproblemas de funcionamento em quatro usinas nucleares, eventosesses que provocaram a contaminação acidental de 126funcionários", afirmou em entrevista à Reuters CorinneCastanier, chefe da entidade. "Esta é a primeira vez em que vejo tantas pessoas sendocontaminadas em um período de tempo tão curto." Contando apenas a quarta-feira, cerca de cem funcionáriosda usina nuclear de Tricastin, no sul da França, foramcontaminados por pequenas doses de radiação. O incidente ocorreu depois de um outro semelhante, este dodia 7 de julho, no mesmo local. O cenário abalou a confiança daopinião pública sobre a segurança do setor nuclear francês, omaior da Europa, no momento em que o presidente da França,Nicolas Sarkozy, promete ampliá-lo. A entidade governamental de segurança atômica, ASN, disseque em 2007 menos de 100 funcionários foram contaminados porradiação na França, país cujo setor nuclear produz 80 por centoda energia consumida. O Criirad também criticou a estatal atômica EDF por dizerque o caso mais recente de contaminação não teria impacto sobrea saúde das pessoas ou sobre o meio ambiente porque asdescargas de radiação haviam ficado abaixo dos limites fixadossegundo padrões internacionais. "Os limites regulatórios para radiação não significam quenão haja um risco, mas dizem respeito ao máximo de risco que sepode permitir", afirmou o Criirad em um comunicado divulgadopor meio de seu site, na quinta-feira. O grupo nasceu em 1986 com o intuito de avaliar de formaindependente o setor nuclear da França depois de o governo terafirmado, erroneamente, que a nuvem radioativa vinda deChernobyl havia parado na fronteira italiana e que a populaçãonão precisava adotar medidas de segurança. Castanier acrescentou que a moral do corpo de funcionáriosdas usinas nucleares encontrava-se em um patamar bastante baixoe que o número de ligações recebidas por seu grupo havia subidomuito no último ano. Os telefonemas partiram de funcionários permanentes etemporários de usinas nucleares que informaram o Criirad sobrea degradação das condições de trabalho. As pressões aumentam acentuadamente durante os períodos demanutenção dos reatores nucleares, que foram reduzidos demaneira significativa, acrescentou o Criirad.

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