ENTREVISTA-França diz que até 2.000 já morreram na Líbia

O embaixador especial da França para questões de direitos humanos disse na quinta-feira que há evidências de que o líder líbio Muammar Gaddafi cometeu crimes contra a humanidade, e que até 2.000 pessoas foram mortas na atual revolta contra ele.

JOHN IRISH E EMMANUEL JARRY, REUTERS

24 de fevereiro de 2011 | 16h59

François Zimeray disse à Reuters que o Tribunal Penal Internacional (TPI) é o único caminho viável para obter justiça, e que as sanções internacionais devem ser "imediatas."

"A questão não é se Gaddafi irá cair, mas quando e a qual custo humano", disse ele no seu gabinete em Paris. "Por enquanto as cifras que temos ... é de que mais de mil morreram, possivelmente 2.000, segundo fontes."

A chancelaria disse durante o dia que uma equipes da Organização das Nações Unidas (ONU) deveria ser enviada à Líbia para investigar possíveis crimes contra a humanidade depois da sangrenta repressão à rebelião.

"Há elementos precisos e verificados para sugerir crimes contra a humanidade, e isso justifica um inquérito judicial e a intervenção da justiça internacional", disse Zimeray, ex-advogado junto ao TPI.

Ele explicou que, mesmo não tendo aderido ao tribunal, o regime líbio pode ser responsabilizado se houver aval do Conselho de Segurança da ONU.

"Para enfrentar crimes contra a humanidade, a única resposta que funciona é a justiça, não a vingança", disse ele.

Os países da União Europeia estão preocupados também com a imigração. Gaddafi nesta semana disse que deixaria de cooperar com as autoridades europeias para controlar o fluxo de migrantes da África para a UE.

O chanceler italiano, Franco Frattini, estima que até 300 mil podem fugir da Líbia para a costa do seu país.

Para Zimeray, Gaddafi está tentando fazer um "terrorismo migratório", mas "é claro que com a desintegração do Estado, todos os contrabandistas vão tentar se aproveitar."

O Conselho de Segurança da ONU e seu organismo de direitos humanos estão debatendo fortes resoluções contra o regime de Gaddafi, mas até agora não houve acordo.

"É preciso haver sanções efetivas e imediatas, e não só potenciais e simbólicas, como aconteceu em outros lugares", disse Zimeray, sugerindo por exemplo um embargo petrolífero à Líbia.

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