Erdogan busca consenso na Turquia após grande vitória eleitoral

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, vai começar um terceiro mandato com seu partido reforçado pela vitória decisiva na eleição de domingo, mas também pressionado pela necessidade de consenso para fazer progredir os planos para uma nova Constituição.

PINAR AYDINLI E IBON VILLELABEITIA, REUTERS

13 de junho de 2011 | 18h15

Erdogan terá que se focar primeiro em um problema de relações exteriores na sua fronteira: a turbulência na vizinha Síria levou cerca de 7 mil sírios a fugir para a Turquia com objetivo de escapar da repressão brutal feita por forças leais ao presidente Bashar al-Assad. Novos refugiados chegam diariamente.

Mas analistas dizem que Erdogan também vai precisar encontrar maneiras para revitalizar a congelada tentativa turca de entrada na União Européia e acabar com a relutância da França e da Alemanha.

Erdogan, cujo partido AK transformou a muçulmana Turquia em uma das economias com crescimento mais rápido do mundo e acabou com o ciclo de golpes militares, venceu com 49,9 por cento dos votos, ou 326 assentos, na eleição parlamentar do domingo.

O resultado foi o maior do AK desde a sua chegada ao poder em 2002, mas o partido falhou em conseguir os 330 assentos necessários para pedir o referendo para reformular a Constituição, escrita há 30 anos e durante um período de regime militar.

Os mercados financeiros ficaram animados nesta segunda-feira com um resultado que é visto pelos investidores como uma maneira de forçar o partido AK a ceder para conseguir fazer as mudanças na Constituição. A lira turca se valorizou perante ao dólar e os títulos do país também subiram.

"A nova Constituição demanda consenso e diálogo com outros partidos e com a sociedade", disse Cengiz Aktar, professor na Universidade de Istambul Bahcesehir, à Reuters. "Veremos se Erdogan está pronto para isso com a sua maioria ou se ele vai impor o seu ponto de vista na Turquia -- isto deve trazer dificuldades para ele."

Os jornais turcos elogiaram o sucesso do premiê. "A Turquia lhe ama" e "O mestre das urnas" foram as manchetes próximas de fotos de um sorridente Erdogan acenando para simpatizantes em frente à sede do partido.

Os críticos temem que Erdogan, que tem reputação de ser intolerante à críticas, possa usar a sua vitória para se consolidar no poder, limitar liberdades e perseguir oponentes.

No discurso da vitória em frente à milhares de simpatizantes na capital Ancara, no domingo à noite, ele prometeu "humildade" e disse que vai trabalhar com os rivais.

"As pessoas nós deram uma mensagem para construir uma nova Constituição via consenso e negociação. Nós vamos discutir a Constituição com os partidos de oposição e ela vai atender demandas de paz e justiça."

O novo líder do partido secular de oposição Partido Republicano do Povo (CHP), que teve o melhor resultado em 30 anos com 25,9 por cento dos votos, alertou Erdogan, dizendo que os seus passos estarão sendo analisados de perto.

"Desejamos todo o sucesso para o AK, mas eles precisam se lembrar que há um forte partido de oposição", disse Kemal Kilicdaroglu.

Analistas veem possibilidade de turbulência política na Turquia.

"A preparação antecipada da nova Constituição tem o potencial de criar incerteza política significativa, assim como levantar questões profundas e polêmicas relacionadas com a divisão de poder, secularismo, religião, nacionalismo e direitos de minorias étnicas", disse Ed Parker, da EMEA Sovereign Ratings, em comunicado oficial nesta segunda-feira.

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