Erdogan obtém vitória na Turquia, mas maioria é reduzida

O AK, partido do primeiro-ministro Tayyip Erdogan, caminhava para vencer a eleição parlamentar deste domingo na Turquia, mas, com 50,2 por cento dos votos, não conseguirá a maioria necessária para convocar um referendo sobre uma nova Constituição.

SEDA SEZER E DAREN BUTLER, REUTERS

12 de junho de 2011 | 17h27

Uma democracia muçulmana e candidata a membro da União Europeia, a Turquia se tornou uma potência econômica e um influente jogador no cenário global desde que o partido de Erdogan chegou ao poder, em 2002.

Se os resultados parciais, com 90 por cento dos votos já apurados, se confirmarem, o AK terá que buscar acordos com outros partidos para renovar a Constituição, escrita há 30 anos, durante o regime militar.

Neste domingo, Erdogan prometeu trabalhar com os seus adversários para chegar a um consenso sobre um texto constitucional turco.

"O povo nos deu a mensagem de construir a nova Constituição pelo consenso e a negociação", afirmou Erdogan, em discurso da vitória, do balcão da sede do AK, em Ancara. "Vamos discutir o novo texto com a oposição."

Com base na contagem ainda incompleta, o AK deve conseguir 327 assentos, três a menos que o necessário para poder convocar o plebiscito e um a menos do que tinha no último Parlamento, de acordo com a CNN.

A reduzida maioria tira parte do brilho da terceira vitória consecutiva do AK, que ficará no poder por mais quatro anos. No entanto, para analistas, a nova composição é boa para a economia e para a democracia turcas.

"Parece que o resultado das eleições aponta para o melhor cenário para os mercados: uma maioria sólida do AK, mas com pouco menos do que os assentos necessários para mudar a Constituição e aprová-la em referendo", disse Wolfango Piccoli, analista do Eurasia Group, de Londres.

"Este cenário deve ajudar a limitar o risco de aumento da polarização no país", acrescentou.

A centro-esquerda está conquistando 25,8 por cento dos votos, enquanto os nacionalistas têm 13,2 por cento, segundo a CNN.

Não houve relatos de incidentes durante a votação, mesmo na região curda, onde uma boa performance de independentes pró-curdos tirou votos do AK.

"O nosso povo quer ver o tema curdo resolvido de maneira pacífica e democrática. Vamos lutar para ver as demandas o povo curdo na nova Constituição," afirmou Serafettin Elci, candidato curdo, à Reuters.

(Reportagem adicional por Simon Cameron-Moore e Ece Toksabay, em Istambul, e Ibon Villelabeitia e Tulay Karadeniz, em Ancara)

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