Erro da polícia levou à morte de Jean Charles, diz promotora

Acusação descarta hipótese que operação malsucedida tenha resultado de pressão sofrida por policiais

Reuters,

01 de outubro de 2007 | 14h07

Erros "chocantes e catastróficos" cometidos pela força policial de Londres, a Scotland Yard, provocaram a morte de Jean Charles de Menezes, afirmou nesta segunda-feira, 1, uma promotora perante uma corte da Justiça britânica. Veja Também Scotland Yard começa a ser julgada pelo caso O eletricista brasileiro, de 27 anos, foi alvejado ao entrar em uma composição do metrô no sul de Londres, no dia 22 de julho de 2005. Os disparos saíram da arma de policiais que o confundiram com um dos quatro homens acusados de terem tentado realizar atentados suicidas no sistema de transporte público da cidade um dia antes. A tentativa malsucedida de atentado, ocorrida apenas duas semanas após quatro militantes islâmicos suicidas terem matado 52 pessoas em três vagões do metrô e em um ônibus da capital britânica, provocou uma caçada humana. Aquele havia sido o pior ataque sofrido pela cidade em tempos de paz. "O desastre não resultou de uma rápida operação que, de repente, tomou um caminho imprevisivelmente equivocado", afirmou a promotora Clare Montgomery, descrevendo os disparos contra Menezes como um "erro chocante e catastrófico". "Tratou-se do resultado de erros fundamentais em realizar uma operação planejada de forma segura e razoável." Segundo Montgomery, a polícia colocou a população em risco ao permitir que um suspeito de tentar detonar uma bomba no sistema de transporte da cidade no dia anterior ingressasse em dois ônibus e no metrô. Processo coletivo O processo coletivo movido contra o Serviço de Polícia Metropolitana de Londres, algo raro, iniciou-se depois de a procuradoria do país ter decidido no ano passado, para desalento da família Menezes, não haver provas suficientes para acusar individualmente os policiais envolvidos na operação. A polícia é acusada de infringir leis que protegem a saúde e a segurança dos cidadãos. A Scotland Yard nega as acusações. Jean Charles, um eletricista, vivia por coincidência no mesmo bloco de apartamento de Hussein Osman, um dos quatro homens detidos no começo deste ano sob a acusação de planejar os atentados malsucedidos de 21 de julho. O policial encarregado da caçada pelos homens-bomba havia determinado que todas as pessoas que deixassem aquele endereço deveriam ser seguidas e detidas próximas ao local, afirmou Montgomery. Uma equipe de vigilância chegou às 6h do dia 22 de julho, mas foram necessárias cerca de quatro horas até que um especialista da unidade armada, efetivamente encarregado de deter quaisquer suspeitos, comparecesse ao local. Por volta das 9h30, Jean Charles saiu de casa e foi seguido por policiais da vigilância que o deixaram viajar em dois ônibus e depois ingressar na estação Stockwell do metrô, onde entrou em uma composição. Oito balas Policiais armados, que corriam para interceptá-lo depois de oficiais terem ficado convencidos, por engano, de que se tratava de Osman, ingressaram no vagão. Jean Charles foi empurrado em um banco e dois policiais atiraram sete vezes em sua cabeça e uma vez no ombro. A polícia pediu desculpas pelo incidente e disse que a morte do jovem foi um resultado trágico do fato de os policiais estarem à época sob uma pressão imensa e sem precedentes. O julgamento deve durar seis semanas. Se a força policial for condenada, pode ter de pagar uma pesada indenização. A polícia disse que uma eventual condenação prejudicará enormemente suas operações de combate ao terrorismo.

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