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Escândalo de gastos deve derrubar chefe da Câmara britânica

Presidente da Câmara dos Comuns renuncia nesta 3ª, diz imprensa; saída do cargo é a primeira em 300 anos

Agências internacionais,

19 de maio de 2009 | 09h27

O presidente da Câmara dos Comuns (deputados) do Parlamento britânico, Michael Martin, submetido a uma moção de censura devido à forma como conduziu o escândalo provocado por gastos injustificáveis de parlamentares, deve anunciar sua renúncia ao cargo nesta terça-feira, 19, segundo afirma a imprensa local. É a primeira vez que a saída do presidente da Câmara é pedida em mais de 300 anos. O premiê britânico, Gordon Brown, dará ainda uma entrevista coletiva para falar sobre a reforma no sistema de gastos do governo.

 

Martin tem sido criticado por ignorar as advertências de que o sistema de reembolso precisava ser alterado e por tentar impedir a publicação dos dados sobre os gastos dos parlamentares. Quinze legisladores pediram que o presidente deixe o cargo, num momento em que o escândalo sobre o uso do dinheiro dos contribuintes continua a aumentar. Nova informações divulgadas mostram que alguns legisladores usaram dinheiro público para pagar hipotecas, comprar de mobília de luxo e etc. As revelações fizeram aumentar a desconfiança nos políticos e irritaram a população.

 

Forçar a demissão de Martin seria um fato constitucional histórico, equivalente a abdicação de um monarca ou ao impeachment de um presidente. Caso perca o cargo, Martin será o primeiro presidente da câmara a ser deposto desde 1695, quando John Trevor foi demitido por ter aceitado suborno. O presidente mantém a ordem durante os debates, decide que legislador vai falar e representa a Câmara em discussões com a Rainha Elizabeth e com a Câmara dos Lordes. Ele pode suspender uma sessão por causa de desordem, suspender um legislador que desrespeitar as regras e ordenar que um colega retire observações consideradas abusivas.

 

Martin deve se reunir com dirigentes de grandes partidos britânicos nesta tarde para discutir a reforma do sistema de apresentação de gastos após o escândalo provocado com as revelações feitas pela imprensa britânica, que permitiu aos políticos usarem verbas públicas para pagarem coisas como tampas de banheiras, biscoitos, ração para gatos e consertos em quadras de tênis.

 

O líder conservador David Cameron pediu na véspera ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que convoque eleições antecipadas, sob a alegação de que o sistema político está "paralisado" por causa do escândalo de parlamentares que utilizaram fundos públicos para pagar contas pessoais. Cameron pediu aos integrantes e partidários de todos os grupos políticos que exijam a convocação de eleições gerais para depois das votações locais do dia 4. Segundo especialistas, o anúncio de Cameron foi uma boa jogada política para constranger o governo, mas dificilmente resultará na antecipação das eleições.

 

Entre as denúncias estão as de que políticos usaram o auxílio-moradia para reformar a própria casa e pagar prestações de imóveis. A divulgação dos gastos enfureceu a população e ameaça afetar o resultado das eleições locais de junho. As denúncias prejudicaram todos os partidos, mas foi um golpe principalmente para o Partido Trabalhista, no poder desde 1997. Martin já foi criticado por suas próprias despesas, dentre elas o uso de dinheiro do contribuinte para pagar corridas de táxi feitas por sua mulher durante suas compras.

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