Escola judaica atacada na França tem origem no Oriente Médio

O rabino Jean-Paul Amoyelle, diretor da rede francesa de escolas judaicas Ozar Hatorah, foi despertado com notícias assustadoras, às 4h da madrugada, durante uma visita a Nova York.

LIONEL LAURENT, REUTERS

19 de março de 2012 | 18h57

Sinagogas e escolas judaicas da França foram alvo de inúmeros ataques na última década, geralmente incêndios, mas desta vez era diferente.

Um homem armado havia matado três crianças e um professor de hebraico, de 30 anos de idade, na unidade da Ozar Hatorah em Toulouse, uma das 20 dessa rede que tem suas raízes na diáspora de judeus do Oriente Médio.

Sua criação data de meados da década de 1940, por iniciativa de um judeu sírio que, na esteira do Holocausto nazista, queria melhorar a situação das comunidades judaicas do Oriente Médio e norte da África. O nome significa "Tesouro da Torá".

Em 2001, uma sala de aula da Ozar Hatorah foi incendiada em Creteil, na periferia de Paris, mas descobriu-se que o autor do ataque foi um aluno.

Amoyelle disse que o atentado de segunda-feira é um sinal de perigo crescente. "Isso foi deliberado. Antissemita e deliberado, não tenho dúvida", disse ele por telefone, preparando-se para voltar à França. "Pretendo instalar uma zona de segurança reforçada."

O fundador da rede Ozar Hatorah, Isaac Shalom, abriu unidades em países como Marrocos, Irã, Líbia e Síria, numa resposta a condições educacionais que ele considerava desastrosas.

Com a criação de Israel, em 1948, toda a região mergulhou num período de guerras e tumultos, e a Ozar Hatorah seguiu então os passos da diáspora, abrindo escolas na França a partir do final da década de 1960, para atender os judeus norte-africanos que atravessavam o Mediterrâneo para fugir das tensões regionais.

"Eu estava na França em 1967. Comecei com uma escola em Sarcelles (subúrbio de Paris), e já havia uma em Lyon", disse Amoyelle, que hoje supervisiona 20 escolas em Paris e em cidades como Marselha, Estrasburgo e Aix-les-Bains.

"Essas são escolas perfeitamente integradas à comunidade", acrescentou ele. Segundo o rabino, há duas opções educacionais: o currículo francês básico, ou uma educação judaica amparada na história e na religião.

Há atualmente mais de 30 mil alunos matriculados em escolas judaicas da França, segundo a entidade franco-judaica Crif. O número de matrículas se mantém estável desde 2005, de acordo com Patrick Petit-Ohayon, especialista em educação judaica.

A Ozar Hatorah oferece o que Amoyelle descreve como "uma certa segurança" - um bem precioso para pais que ficaram preocupados com a onda de incêndios criminosos dos últimos anos. Há guardas na porta para vistoriar visitantes, e as grades foram prolongadas depois de 2001.

Até por isso, pais e alunos se mostravam chocados com o ataque de segunda-feira. "Essa área é muito calma, e até onde eu sei não houve ameaças", disse Laura, mãe de uma aluna, que não disse o sobrenome.

A filha dela contou que, na hora do tiroteio, os professores fizeram os alunos se esconderem em várias salas, inclusive na sinagoga. "Eu não vi nada, mas ouvi vários tiros. Foi assustador."

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