Eslováquia e Hungria prendem 3 tentando vender urânio

Suspeitos pretendiam fazer negócio de US$ 1 milhão; não está claro se material era altamente enriquecido

Associated Press,

29 de novembro de 2007 | 13h21

As polícias da Eslováquia e da Hungria identificaram como sendo urânio o material radioativo apreendido na quarta-feira, 28, com três suspeitos que supostamente iriam vendê-lo por US$ 1 milhão.  Segundo autoridades, o urânio foi confiscado durante a prisão de dois suspeitos no extremo leste da Eslováquia, e de um terceiro na Hungria. Ainda não está claro a quem os detidos pretendiam vender o material. "Eu posso confirmar que trata-se de urânio-235 e urânio-238", informou o porta-voz da polícia eslovaca Martin Korch nesta quinta-feira, 29. Ele não soube especificar se o material foi enriquecido a um nível que possa ser usado para a construção de um artefato nuclear.  O urânio é considerado enriquecido quando contém mais de 20% de urânio-235, ou a forma físsil do elemento. Para ser usado em armamentos, no entanto, o material deve conter no mínimo 85% de urânio-235. Já o urânio-238 é uma forma mais fraca do isótopo.  As prisões elevaram a preocupação de que o Leste Europeu torne-se uma fonte de material radioativo para a fabricação de "bombas sujas" - tipo de artefato em que explosivos comuns são usados para espalhar radiação. A região, que no passado foi área de influência da União Soviética, é rica em centros de pesquisa nuclear desativados.  A fronteira da Eslováquia com a Ucrânia é o ponto mais a leste da União Européia. O bloco tem gastado nos últimos anos milhões de dólares para enrijecer a segurança na tentativa de impedir que terroristas e quadrilhas de criminosos contrabandeiem armas, explosivos e outros materiais para dentro da UE. Investigações As polícias da Eslováquia e da Hungria trabalharam juntas no caso por vários meses, disse Korch. Ele não quis especificar por quanto tempo os suspeitos foram investigados e não deu detalhes das prisões.  Tanto o ministério do interior eslovaco, como a embaixada dos EUA na capital, Bratislava, recusaram-se em comentar o caso.  A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), por sua vez, disse estar contatando os governos da Eslováquia e da Hungria para obter mais informações sobre as investigações.  Segundo o funcionário da AIEA Richard Hoskins, em 2006, 252 casos de material radioativo roubado, perdido, contrabandeado ou em posse de pessoas não autorizadas foram registrados. O número representa um crescimento de 385% desde 2002.

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