Radovan Stoklasa/Reuters
Radovan Stoklasa/Reuters

Eslováquia pode ter primeira presidente mulher eleita neste sábado

A advogada liberal Zuzana Caputova está na frente segundo pesquisas e, se eleita, quebrará tendência da vitória de líderes populistas na Europa

Tatiana Jancarikova, Reuters

30 de março de 2019 | 01h41

BRATISLAVA (ESLOVÁQUIA) - Surfando na indignação pública contra a corrupção, a advogada liberal Zuzana Caputova está bem próxima de ganhar as eleições presidenciais na Eslováquia neste sábado, 30. Se este cenário se concretizar, o país da Europa Central irá contra a tendência de ascensão de líderes populistas e anti-União Europeia no continente.

Zuzana é uma novata na política e espera se tornar a primeira presidente mulher da Eslováquia. Ela recebeu 40,6% dos votos no primeiro turno, mais de duas vezes que o segundo colocado, Maros Sefcovic, com 18,7%. Este é apoiado pelo partido de esquerda atualmente à frente do poder.

Em seus discursos, Zuzana prega pelo fim da "captura do Estado por pessoas mexendo os pauzinhos nos bastidores". Esta é uma mensagem que encontrou apelo entre os eleitores mais jovens e com maior nível de escolaridade. As informações são de pesquisas de opinião.

Corrupção e 'mudança' foram os principais temas presentes na campanha eleitoral. O pleito ocorre uma no após o assassinato de Jan Kuciak, jornalista investigativo, e sua esposa dentro da própria casa.

Cinco pessoas foram acusadas do assassinato de Kuciak e sua mulher. Entre eles, o empresário Marian Kocner, investigado pelo jornalista e símbolo da impunidade entre setores da sociedade eslovaca. Ele nega as acusações. Zuzana travou uma batalha judicial contra Kocner que durou 14 anos. Ela acabou saindo vencedora da disputa.

'Desejo de mudança'

"A Eslováquia está acordando", disse Zuzana durante o último debate na televisão. "A população está confiante de que as coisas vão mudar a partir das próximas eleições".

A pesquisa de intenção de votos feita pela agência Median, única divulgada entre o primeiro e o segundo turnos, apontou que ela pode ganhar com cerca de 60,5% dos votos. Sefcovic, seu adversário, ficaria com 39,5%.

Atraindo os votos dos candidatos derrotados no primeiro turno, Sefcovic calcou sua campanha em discursos anti-imigração. Além disso, ressaltou sua tradição católica em contraste com as opiniões "ultra-liberais" de Zuzana à favor do aborto e dos direitos da população LGBT.

"Uma vitória de Zuzana pode encorajar setores da população a renovar a classe política dominante nas eleições gerais do próximo ano", falou o analista político Michal Vasecka.

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