Espanha acusa 11 por planejar atentado suicida em Barcelona

Justiça diz que grupo planejava ataque contra meios de transporte público semenhante ao realizado em Madri

Agência Estado e Associated Press,

05 de junho de 2008 | 14h29

O juiz espanhol Ismael Moreno acusou formalmente 11 supostos extremistas islâmicos nesta quinta-feira, 5, por planejarem atentados suicidas contra a rede de transportes públicos de Barcelona. Segundo o processo, o grupo planejava explodir várias bombas na segunda maior cidade do país em janeiro.   Nove dos suspeitos são paquistaneses e um deles é indiano. Um deles não teve a identidade revelada. Na acusação, Moreno, da Corte Nacional, acusa os suspeitos de pertencerem a uma organização terrorista e também pela posse de explosivos. Dez dos suspeitos foram presos em 19 de janeiro, no bairro barcelonês de Raval, onde vive uma grande comunidade paquistanesa. Um dos acusados continua foragido e o magistrado expediu um mandado internacional de prisão contra ele.   Ao vasculhar as residências dos suspeitos, a polícia encontrou uma pequena quantidade de equipamentos para fabricação de explosivos, incapazes de produzir um grande atentado. Mas, segundo Moreno, essas substâncias serviriam para o treinamento do grupo. Ainda segundo o magistrado, os suspeitos tinham "capacidade operacional" e estavam perto de conseguir a "completa capacidade técnica em relação aos dispositivos explosivos".   De acordo com Moreno, "os membros da célula terrorista desativada planejavam a realização de vários atentados terroristas suicidas entre 18 e 20 de janeiro, contra os meios públicos de transporte". Ele não entrou em detalhes, mas segundo a mídia espanhola o alvo seria o metrô. Se de fato ocorresse, esse ataque seria semelhante ao ocorrido em 11 de março de 2004 contra o sistema de transporte ferroviário de Madri. Morreram no atentado 191 pessoas; mais de 1.800 ficaram feridas.   Uma semana após as prisões dos suspeitos de planejar os atentados em Barcelona, o ministro do Interior Alfredo Perez Rubalcaba disse que havia "dúvidas" sobre quão próxima a célula estava do ataque. Ele citou o fato de que o grupo não tinha uma quantidade significativa de explosivos.   Os militantes envolvidos nos ataques a Madri afirmaram que agiram para se vingar do apoio concedido ao então conservador governo espanhol à guerra no Iraque - o país contribuiu enviando tropas. O juiz disse que os acusados participavam de um movimento radical islâmico identificado como Tabligh e Jamaa. Ele apontou Maroof Ahmed Mirza, de 38 anos, e Mohammad Ayud Elahi Bibi, de 64, ambos paquistaneses, como os líderes da célula. Naveed, filho de Bibi, negou qualquer participação do pai na conspiração. "Não importa o que eles digam, não há provas contra ele", afirmou.   Segundo o jornal espanhol El País, o plano foi descoberto por um agente secreto francês, identificado como F-1. Ele teria chegado da França de trem e se infiltrado na célula. O fato de o periódico divulgar esse fato causou espanto em Paris e embaraço em Madri. Sobre isso, Moreno apenas cita em sua acusação uma "testemunha protegida".

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