Espanha acusa Israel de crimes de guerra em Gaza em 2002

Juiz afirma que bombardeio que matou chefe do Hamas foi contra civis; Israel diz que anulará investigação

Agências internacionais,

29 de janeiro de 2009 | 14h55

O juiz Fernando Andreu, da Audiência Nacional espanhola, anunciou nesta quinta-feira, 29, que abrirá uma investigação contra um ataque israelense na Faixa de Gaza. O magistrado acusa o ex-ministro da Defesa de Israel Binyamin Ben-Eliezer e seis militares de terem cometido crimes contra a humanidade em um bombardeio em Gaza em 22 de julho de 2002, no qual morreram um chefe do Hamas e 14 civis.   Veja também: Bombardeio israelense fere oito palestinos em Gaza História do conflito entre Israel e palestinos     Além do líder do Hamas, morreram no ataque sua mulher, sua filha e seu guarda-costas, além de outras 11 pessoas - a maioria deles crianças e bebês -, enquanto 150 ficaram feridas, algumas com lesões graves. Após o anúncio de Andreu, o ministro da Defesa israelenese, Ehud Barak, afirmou que fará "todo o possível" para anular a investigação.   Embora o bombardeio tenha se dirigido ao líder islâmico, o juiz espanhol classificou-o como "contra a população civil". Segundo ele, o ataque "é produto de uma ação que se deduz como claramente desproporcional ou excessiva", e que responde a "uma estratégia preconcebida", que poderia causar consequências "mais graves."   Entre os acusados, além do ex-ministro da Defesa, estão seu ex-assessor militar, Michael Herzog; o ex-chefe do Estado-Maior general Moshe Yaalon e o comandante das Forças Aéreas israelenses quando aconteceu o ataque, Dan Halutz.   Também foram acusados o general que comandava do Comando Sul das Forças de Defesa, Doron Almog; o presidente do Conselho Nacional de Segurança e Assessor Nacional de Segurança, Giora Eiland, e o diretor do Serviço Geral de Segurança, Abraham Dichter.   A investigação correrá sob um mecanismo da legislação espanhola que permite o julgamento no país de crimes contra a humanidade, genocídio e terrorismo, mesmo se os delitos foram cometidos no exterior. Os juízes espanhóis têm usado essa medida para processar vários ex-líderes de governo e suspeitos de terrorismo como Osama Bin Laden, que foi indiciado no país pelos ataques de 11 de Setembro nos Estados Unidos. As condenações e extradições, porém, são raras.

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