Espanha admite 'erros' em tratamento dado a brasileiros

Crise iniciada por deportações deverá ser resolvida em reunião entre representantes dos dois governos

Feliciano Tisera, Reuters

19 de março de 2008 | 14h50

O Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha reconheceu nesta quarta-feira, 19, que houve "erros" no tratamento dado a passageiros brasileiros, deflagrando uma crise entre os dois países, que será resolvida em uma reunião entre representantes dos dois governos, segundo um porta-voz.  Veja também:Turistas espanhóis barrados reclamam de discriminaçãoEstudante confirma maus tratos sofridos na Espanha à CâmaraCâmara deve convocar embaixador da EspanhaMPF admite reciprocidade em deportação de europeus   Saiba como agir se for barrado em aeroporto Brasil deve adotar medidas contra espanhóis No encontro se tentará colocar um ponto final no conflito e buscar formas de solucionar as falhas, comentou um porta-voz do ministério à Reuters. "Nenhum sistema é infalível...isso disse o próprio (ministro do Interior, Alfredo Pérez) Rubalcaba", disse o porta-voz após admitir que o ministério não tinha ciência "dos erros até que eles começaram a chamar a atenção da imprensa e da opinião pública". "Graças à imprensa, os mecanismos para solucionar os problemas se aceleram", acrescentou. "O caso está em vias de ser solucionado", afirmou, ao confirmar a reunião de subsecretários dos dois lados no final do mês. "O primeiro passo está dado, que é a conversa", completou o porta-voz sem dar detalhes das medidas que podem ser adotadas. A chancelaria espanhola não mostrou sinais de preocupação, pois considera que vontade política está presente em ambas as partes e isso se evidenciou em uma conversa entre o ministro espanhol Miguel Angel Moratinos e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Em uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também foi mostrado interesse de resolver a situação. Em resposta aos comentários do presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB), que insinuou que a conduta espanhola poderia ser resultado de pressões feitas pela União Européia, o porta-voz disse: "Não há pressão". "O que há são alguns requisitos comuns para entrar no espaço Schengen...outra coisa é que se tenham cometido erros. Sobre essa opinião, pergunte aos brasileiros", afirmou o porta-voz, numa referência à zona sem fronteiras integrada pela maioria dos integrantes da UE. Gadelha não estava imediatamente disponível para atender às ligações da Reuters.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.