Espanha admite 'erros' no tratamento a brasileiros

O Ministério de Assuntos Exteriores daEspanha reconheceu nesta quarta-feira que houve "erros" notratamento dado a passageiros brasileiros, deflagrando umacrise entre os dois países, que será resolvida em uma reuniãoentre representantes dos dois governos, segundo um porta-voz. No encontro se tentará colocar um ponto final no conflito ebuscar formas de solucionar as falhas, comentou um porta-voz doministério à Reuters. "Nenhum sistema é infalível...isso disse o próprio(ministro do Interior, Alfredo Pérez) Rubalcaba", disse oporta-voz após admitir que o ministério não tinha ciência "doserros até que eles começaram a chamar a atenção da imprensa eda opinião pública". "Graças à imprensa, os mecanismos para solucionar osproblemas se aceleram", acrescentou. "O caso está em vias deser solucionado", afirmou, ao confirmar a reunião desubsecretários dos dois lados no final do mês. "O primeiro passo está dado, que é a conversa", completou oporta-voz sem dar detalhes das medidas que podem ser adotadas. A chancelaria espanhola não mostrou sinais de preocupação,pois considera que vontade política está presente em ambas aspartes e isso se evidenciou em uma conversa entre o ministroespanhol Miguel Angel Moratinos e o ministro das RelaçõesExteriores, Celso Amorim. Em uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva parao primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero,também foi mostrado interesse de resolver a situação. Em resposta aos comentários do presidente da Comissão deRelações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputadoMarcondes Gadelha (PSB-PB), que insinuou que a condutaespanhola poderia ser resultado de pressões feitas pela UniãoEuropéia, o porta-voz disse: "Não há pressão". "O que há são alguns requisitos comuns para entrar noespaço Schengen...outra coisa é que se tenham cometido erros.Sobre essa opinião, pergunte aos brasileiros", afirmou oporta-voz, numa referência à zona sem fronteiras integrada pelamaioria dos integrantes da UE. Gadelha não estava imediatamente disponível para atender àsligações da Reuters. ABORRECIMENTO BRASILEIRO Os brasileiros se aborreceram por duas coisas, segundoporta-voz do Ministério das Relações Exteriores, que falou àReuters: "primeiro, nos últimos meses notamos que o número depessoas não admitidas aumentou 20 vezes". "Depois, começamos a ouvir falar de muitos passageiros quecumpriam todos os requisitos, mas mesmo assim foram deportadose maltratados", afirmou. "Sabemos que existe imigração ilegal e não a defendemos,mas nos incomodou o fato de que foram recusadas muitas pessoascom toda a documentação necessária", disse. "Sendo assim, agoraestamos trabalhando para a reunião (que ocorrerá em Madri).Esperamos que tudo termine bem", acrescentou. As reclamações dos brasileiros surgiram devido a casos comoo de Julio Marques. Seu irmão, Adriano, trabalha na Espanha hávários anos como cozinheiro, camareiro e, agora, na construçãocivil. "Estava muito contente porque ia ver meu irmão", disseAdriano Marques à Reuters. "Ao perceber que tinha perdido ohorário avião, fui à polícia e me disseram que era provável queele estivesse retido na sala de deportações e me deram otelefone", disse. "Assim que telefonei, fiquei sabendo que há gente demaispresa ali e é muito difícil achar alguém(...). Só conseguifalar com meu irmão quando ele me telefonou, três ou quatrohoras depois, e me disseram que ele seria deportado. Nunca pudevê-lo", contou. Julio foi mandado de volta com a mesma passagem, que era deida e volta. Ele teve de continuar pagando as prestações dapassagem que comprou para visitar a Espanha, mesmo que só tenhaconhecido a parte menos agradável de lá. "Ele nunca mais quer voltar à Espanha", comentou Adriano.

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