Espanha condena 21 por atentados a bomba de 2004

A Justiça da Espanha condenou naquarta-feira 21 pessoas por sua participação nos atentados abomba ocorridos em trens de Madri, em 2004, e que deixaram 191vítimas fatais. Mas os supostos mentores dos ataques foramabsolvidos. Dos 28 acusados, sete foram absolvidos das acusações deenvolvimento, entre os quais Rabei Osman Sayed Ahmed, conhecidocomo "Mohamed, o Egípcio" e já detido na Itália depois de tersido condenado pelo crime de integrar um grupo terroristainternacional. O marroquino Jamal Zougam acabou condenado a um total demais de 40 mil anos de prisão, apesar de, segundo as leisespanholas, poder ficar preso no máximo 40 anos. O espanholEmilio Suarez Trashorras, acusado de fornecer os explosivos,também recebeu uma pena de milhares de anos de prisão. O juiz encarregado do caso, Javier Gomez Bermudez,descartou a possibilidade de o grupo separatista basco ETA terparticipado dos atentados de 11 de março de 2004, nos quaistambém ficaram feridas 1.800 pessoas. Naquele dia, 10 bombascolocadas em mochilas foram detonadas dentro de quatrocomposições de trens urbanos. A Promotoria afirmou que os acusados haviam se inspirado narede Al Qaeda. Os ataques determinaram os rumos da eleição geral naEspanha. À época, o governo, então dominado pelosconservadores, responsabilizou o ETA pelas bombas. Osconservadores acabaram perdendo o pleito.O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero,pediu, após o veredicto, a união dos partidos políticos e dasociedade. Segundo ele, o país precisa investir conjuntamente suaenergia "na luta contra a ameaça terrorista". "Esta é a melhor lição que podemos extrair da sentença quese fez pública", acrescentou. Um total de 29 pessoas, a maior parte delas marroquinos eespanhóis, começou a ser julgado no começo deste ano devido avários crimes, entre os quais planejar os atentados, roubarexplosivos de uma mina e trocá-los por drogas. Um dos acusadosjá havia sido absolvido. O juiz também estipulou indenizações para as vítimas quevariam de 30 mil euros (43.340 dólares) a 1,5 milhão de euros.Sobreviventes e parentes dos mortos compareceram ao julgamento. Todos os acusados alegaram inocência, e prevê-se que oscondenados apelem de suas sentenças. Os veredictos fecharam mais um capítulo da história dosatentados. No entanto, em vistas das eleições gerais previstaspara ocorrer em menos de cinco meses, ainda podem dificultar avida do Partido Popular (PP), de centro-direita e atualmente naoposição. Foi o PP que inicialmente culpou o ETA pelosatentados. (Com reportagem de Anna Valderrama)

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