Espanha detém 2 americanos procurados por fraude hipotecária

Casal usaria 'laranjas' para fazer empréstimos para comprar casas superfaturadas e que nunca eram pagos

EFE,

26 de outubro de 2008 | 13h06

A polícia deteve um casal de americanos que estava sendo procurado pelo FBI por suspeita de envolvimento em uma trama de fraudes hipotecárias, com a qual ambos teriam roubado milhões de dólares de diferentes bancos de seu país.   Segundo informou a polícia da região espanhola da Catalunha em comunicado, os detidos são Garret G. G., de 27 anos e suposto cérebro da trama, e sua companheira, Nicole D., que, segundo o FBI, teria colaborado como testa-de-ferro em várias transações fraudulentas.   Os dois foram detidos no último dia 16 na localidade de Sitges, em Barcelona, e já foram extraditados. Os suspeitos eram investigados pela Procuradoria de Sacramento (Califórnia) e tinham uma ordem internacional de detenção ditada pelo Tribunal Federal do Distrito Leste da Califórnia, por organizar uma trama de fraudes em compras de casas nas quais estariam envolvidas algumas imobiliárias.   O cérebro da trama era responsável por conseguir compradores fraudulentos de casas na Califórnia, aos quais oferecia históricos trabalhistas falsos para aparentar solvência e conseguir, portanto, que as entidades financeiras concedessem uma hipoteca.   Ao mesmo tempo, o suspeito contava com a cumplicidade de construtores e corretores de imóveis, que inflavam os preços das casas.   Esse sobrepreço era dividido pelos corretores imobiliários e o cérebro da trama que, por sua vez, cedia uma pequena parte de seus lucros aos testas-de-ferro.   Estes nunca pagavam as cotas da hipoteca e, embora os bancos pudessem obter parte do crédito embargando a casa, não conseguiam recuperar o total do capital emprestado, já que o preço real era muito inferior ao fixado na operação de compra fraudulenta.   Garret G. G., que foi detido apenas três dias depois que a Interpol comunicou à polícia catalã sua suspeita de que ele estivesse na Catalunha, pode ser condenado a 30 anos de prisão.

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