Espanha diz que prisão de líder militar deve abalar ETA

A detenção do suposto chefe militar do grupo separatista basco ETA, Garikoitz Aspiazu Rubina, conhecido como "Txeroki", marca um ponto de virada na luta contra a organização, afirmou nesta quarta-feira o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba. O ministro observou, em uma entrevista concedida à TV Cadena Ser, que as forças de segurança encontram-se em alerta máximo diante da possibilidade de o ETA reagir à operação de captura, realizada na segunda-feira, na França. "Eu não gosto de falar do fim do ETA. Isso me parece uma ilusão que não podemos colocar em cima da mesa. Mas alguém tão importante quanto Txeroki era no grupo terrorista ETA não vai para a prisão sem que o ETA sofra um tanto, isso é evidente", afirmou Rubalcaba. "Há um ETA antes de Txeroki e um ETA depois de Txeroki, que neste momento era o dirigente máximo do grupo terrorista", acrescentou. Segundo o ministro, o chefe militar do ETA, detido na França junto com a suposta integrante do grupo Leire López Zurutuza, era uma pessoa "com muito peso político, uma lenda dentro da organização". Rubalcaba disse que Txeroki comandava o ETA desde 2004-2005, apesar de só ter se tornado o responsável pelos aparatos político e militar do grupo depois da prisão, em maio, de Francisco Javier López Pena, conhecido como "Thierry". O ministro acredita que a pressão do cerco policial levou Txeroki, "uma pessoa obcecada com a segurança", a cometer um erro primário ao colocar uma placa antiga falsa em seu carro. Segundo Rubalcaba, entre os presos do ETA e os simpatizantes dele há uma "sensação de debilidade crescente, quase de um processo inevitável de deterioração", algo a que os novos dirigentes do grupo tentariam responder lançando um novo atentado. "Eles vão tentar fazer isso e nós estamos em alerta máximo para o que vierem a tentar", afirmou. O ministro descartou ainda a possibilidade de que, no futuro, possa haver algum tipo de negociação com o grupo. Já houve várias experiências frustradas envolvendo a declaração de tréguas, a última delas em 2006. "Já tentamos fazer isso três vezes. A democracia mostrou-se muito flexível e generosa. E já tentamos isso várias vezes. E chegamos à conclusão de que eles não desejam a paz", concluiu. (Reportagem de Blanca Rodríguez)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.