Espanha extradita argentino acusado de crimes contra humanidade

A Espanha autorizou na sexta-feira aextradição para a Argentina de Eduardo Almirón, umex-integrante de uma unidade paramilitar da década de 1970acusado de crimes contra a humanidade e de genocídio. Almirón integrava a Aliança Anticomunista Argentina (TriploA), que, a mando de José López Rega, ministro do Bem-EstarSocial da ex-presidente María Estela Martínez de Perón (nopoder de 1974 a 1976), teria sequestrado e assassinado cerca de2.000 pessoas. O mandato presidencial legítimo da viúva do mítico líderJuan Domingo Perón terminou de forma violenta quando ocorreu umgolpe militar na Argentina, em março de 1976, dando início a umdos períodos mais sangrentos da história do país, durante oqual cerca de 30 mil pessoas desapareceram segundo cifras degrupos de defesa dos direitos humanos. O site da Presidência do Governo da Espanha informou quedecidiu "entregar, para as autoridades da Argentina, RodolfoEduardo Almirón Sena por crimes contra a humanidade egenocídio". A investigação da Justiça argentina faz parte do processoiniciado pelo ex-presidente Néstor Kirchner (no poder de 2003 a2007) com vistas a reabrir os inquéritos sobre crimes contra ahumanidade cometidos antes da ditadura militar. O juiz federal Norberto Oyarbide retomou as investigaçõessobre a Triplo A alegando que os crimes contra a humanidadecometidos pelo grupo não prescrevem judicialmente. Os esquadrões dessa organização perseguiam políticos,jornalistas e guerrilheiros de esquerda, pertencentesfundamentalmente a grupos como os Montoneros e o ExércitoRevolucionário do Povo (ERP). López Rega morreu em 1989, pouco depois de ter sido acusadode ser o dirigente da Triplo A. Almirón era um dos segurançasdele. (Reportagem de Inmaculada Sanz em Madri)

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