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Espanha fica em alerta máximo pelos 50 anos da ETA

Investigação aponta dois suspeitos de atentado que matou agentes; funerais são celebrados nesta sexta-feira

31 de julho de 2009 | 08h06

As forças de segurança espanholas estão em alerta máximo nesta sexta-feira, 31, por conta do aniversário de 50 anos da fundação da organização separatista basca ETA, responsabilizada pelos atentados promovidos nesta semana no país, matando dois agentes e ferindo dezenas de pessoas.

 

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Grupos de segurança acreditam que a ETA - enfraquecida pela prisão de vários de seus principais comandantes - está tentando fazer uma demonstração de força para provar que ainda tem habilidade de atentar contra o Estado espanhol. A ETA, que luta pela criação de um país independente na região do País Basco e sul da França, é considerada uma organização terrorista pelos EUA e pela União Europeia. Ao longo de quatro décadas, as ações do grupo deixaram mais de 850 mortos.

 

O governo espanhol responsabilizou o grupo armado pela onda de atentados com bomba que matou dois agentes da Guarda Civil, de 27 e 28 anos, no município espanhol de Calviá, em Palma de Mallorca. Horas depois da explosão, a polícia desativou uma segunda bomba em outro veículo da Guarda Civil estacionado a poucos metros do local do primeiro atentado. O governo local qualificou a ETA de "um bando de assassinos loucos".

 

Segundo o jornal espanhol El País, fontes da investigação já possuem nomes e fotos de dois suspeitos do ataque em Mallorca. A polícia espanhola trabalha com a hipótese de que os terroristas que cometeram o atentado continuam na ilha, que fica no Mediterrâneo. Segundo o representante do Governo nas Ilhas Baleares, Ramón Socías, os autores do ataque "estariam em algum apartamento", aguardando a "situação esfriar". Ele também disse que as barreiras continuam montadas nos portos da localidade e nos aeroportos de San Bonet e de Palma de Mallorca, o terceiro maior do país, "para que ninguém abandone (a ilha )sem ter sido corretamente identificado". Sobre a bomba colocada no carro em que morreram os agentes Carlos Sáenz de Tejada e Diego Salvá Lezaun, o representante do governo destacou que os indícios são de que o explosivo foi acionado à distância.

 

Segundo um funcionário do ministério, a polícia acredita que o atentado foi realizado por uma célula da ETA de fora da ilha que teria sido deslocada ao local especialmente para coordenar as explosões. A Guarda Civil, assim como a polícia e os militares, é um dos alvos prioritários da organização separatista basca. Estima-se que, desde sua fundação em 1959, a ETA já tenha lançado mais de 80 ataques contra agentes militares.

 

Centenas de pessoas se concentraram nas principais cidades do país para mostrar o rechaço aos atentados fazendo cinco minutos de silêncio. O príncipe Felipe, herdeiro da Coroa espanhola, e sua esposa, a princesa Letizia, devem predidir o funeral, que será realizado na catedral de Palma de Mallorca.  O presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, viajou para a ilha acompanhado do líder do opositor Partido Popular, Mariano Rajoy, para condecorar os oficiais Carlos Sáenz de Tejada e Diego Salva.

 

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