Espanha luta contra incêndios e cortes no orçamento

A Espanha enfrenta seus piores incêndios em uma década, depois que as queimadas provocaram até agora neste ano o triplo da destruição registrada em todo 2011, enquanto o orçamento dos bombeiros foi cortado pela metade como parte da redução dos gastos públicos.

Reuters

15 de agosto de 2012 | 07h49

Com o clima na Espanha mais seco e quente do que no ano passado, não estava imediatamente claro se o aumento dos incêndios neste ano estava diretamente relacionado ao corte orçamentário.

Mas os bombeiros estavam certos de que havia uma relação entre esses fatores e pediram mais investimentos em equipamentos essenciais e uma melhor compensação pelos riscos que enfrentam.

"Houve bombeiros que não puderam se envolver com o trabalho de combater os incêndios porque não tinham nem mesmo luvas ou botas", disse Antonio del Rio, da unidade catalã do sindicato UGT, a um jornal.

Outros reclamaram da falta de aparelhos de respiração.

A Espanha lançou uma série de medidas de austeridade para cortar cerca de 65 bilhões de euros de seu déficit em dois anos, em um esforço para evitar um resgate financeiro em grande escala, mas esses cortes inevitavelmente têm consequências nos serviços públicos.

Mais de 132 hectares de floresta já queimaram neste ano, em comparação a pouco menos de 40 hectares em 2011, afirmou o jornal El Pais nesta quarta-feira, citando dados do Ministério do Meio Ambiente.

Os parques nacionais estão entre as áreas mais duramente atingidas pelos incêndios que também tiraram centenas de pessoas de suas casas.

O ministério afirmou que era responsabilidade das 17 regiões autônomas da Espanha determinar o seu próprio orçamento para combate a incêndios, mas que assumiria a responsabilidade pelas queimadas em parques nacionais até que as autoridades regionais entrem em cena.

Catalunha, Valência e Ilhas Canárias, as três localidades que têm sido mais afetadas pelo fogo que começou na semana passada, são as regiões mais endividadas da Espanha e estão efetivamente fechadas para os mercados de capital após perderem as metas de déficit fiscal no ano passado.

(Reportagem de Amanda Cooper)

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