Espanha prende agente que vendeu informações secretas

Embora chefe do serviço de inteligência não confirme, especula-se que dados foram passados para a Rússia

Reuters

24 Julho 2007 | 11h15

O Centro Nacional de Inteligência (CNI) da Espanha afirmou ter detido um suposto agente duplo, acusado de vender segredos de Estado para um serviço de espionagem de outro país, entre 2001 e 2004.O diretor do CNI, Albert Saiz, divulgou a informação em uma entrevista coletiva nesta terça-feira, 24, mas não quis identificar o país que contratou os serviços do agente duplo. Vários meios de comunicação da Espanha, entretanto, afirmaram se tratar da Rússia.Roberto Flórez García, detido nas Ilhas Canárias na segunda-feira, 23, vendeu dezenas de identidades, bem como outras informações, sobre as equipes de espionagem da Espanha, afirmou Saiz. Flórez García atuou entre 2001 e 2004, quando deixou a agência.Segundo o diretor do CNI, nenhuma informação sobre a luta antiterrorista realizada pelo país havia sido divulgada."A segurança nacional não correu riscos", afirmou, acrescentando que tampouco tinham sido divulgadas informações capazes de afetar a segurança da União Européia (UE) ou da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A Espanha é membro das duas organizações."Apesar disso, as informações vendidas por essa pessoa provocaram, logicamente, danos internos a nossa organização, danos especialmente quanto a nossos procedimentos, nossas estruturas internas, a identidade de alguns de nossos membros e algumas atividades da área de contra-inteligência", afirmou.Flórez García vinha sendo investigado desde 2005 e pode ser condenado a uma pena de 6 a 12 anos de prisão.    A divulgação dessa notícia acontece em um momento de crise nas relações entre a Rússia e o Reino Unido, que expulsaram diplomatas reciprocamente depois de o governo russo ter se negado a extraditar um ex-agente da KGB acusado de matar o ex-espião russo Alexander Litvinenko em Londres.A rádio RNE afirmou que Flórez García trabalhou durante 12 anos no CNI, até pedir demissão em 2004. E acrescentou que não se trata, tecnicamente, de um caso de agente duplo porque foi Flórez García quem se ofereceu para dar informações em troca de dinheiro.

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