Espanha se diz 'perplexa' com posição de política de bispos

O governo espanhol disse ao Vaticano queestá "surpreso e perplexo" pelas críticas expressas por bisposespanhóis que aconselharam os fiéis católicos sobre como votarna eleição de março, informou a mídia no domingo. O enviado de Madri a Roma queixou-se com o Vaticano depoisde os bispos terem exortado os eleitores espanhóis a votar empartidos que não negociem com os guerrilheiros do grupo bascoETA. Trata-se, aparentemente, de uma farpa lançada contra ogovernista Partido Socialista, cujas conversações de paz com oETA fracassaram em 2006. "Queremos melhorar nossa relação com a Santa Sé", disse ajornalistas o ministro das Relações Exteriores, Miguel AngelMoratinos. "Mas há muitos católicos na Espanha que não vão entendermuito. Trata-se de uma hierarquia fundamentalista eneoconservadora que nem sequer representa o sentimento da maiorparte dos católicos da Espanha." Os bispos também criticaram a legalização dos casamentoshomossexuais e a redução do peso da religião nas escolas, todasessas medidas promovidas pelos socialistas dentro de suacampanha de modernizar o país, nominalmente católico mas que jáé mais liberal em termos sociais. Duas pesquisas separadas publicadas pelo El País e a ABCindicam que os socialistas continuam na liderança nas intençõesde voto para a eleição de 9 de março, mas sua vantagem emrelação ao conservador Partido Popular (PP) caiu para entre 3,4e 3,8 pontos percentuais na última semana de janeiro. Já a pesquisa realizada entre 14 e 24 de janeiro atribuíraaos socialistas uma vantagem de 5,8 pontos percentuais. Contudo, a postura conservadora adotada pela igreja podeacabar reforçando a liderança de Zapatero nas pesquisas deopinião, angariando para ele o apoio especialmente dos jovensespanhóis, que, historicamente, são socialmente liberais e nãofrequentam a igreja. A Igreja Católica é amplamente associada ao establishmentconservador, por razões históricas: o apoio dado ao exército doditador de direita Francisco Franco durante a Guerra Civil e amaior parte do governo franquista subsequente.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.