Espanha vive luto por político morto às vésperas da eleição

A Espanha manifestou neste sábado seupesar pela morte do ex-vereador socialista, baleado no PaísBasco no que muitos disseram ser uma tentativa de separatistasde influenciar as eleições de domingo, assim ocorreu com osatentados em 2004. O governo socialista e a oposição conservadoraimediatamente responsabilizaram o grupo guerrilheiro basco ETApela morte, na sexta-feira, de Isaías Carrasco. "ETA tenta seu próprio 11 de Março", estampou em suamanchete o jornal La Vanguardia, de Barcelona, em referência ao11 de março de 2004, quando militantes islâmicos leais à AlQaeda explodiram vagões de trem três dias antes das eleições. A fúria contra a tentativa do governo conservador deatribuir os atentados ao ETA ajudou o então líder oposicionistaJosé Luis Rodríguez Zapatero a virar o jogo e vencer o pleito aseu favor. A morte na cidade de Mondragón deixa um ar de indefiniçãosobre as eleições de domingo. Até o momento, os socialistaslideram as pesquisas de opinião por uma margem estreita. Sandra, filha de 19 anos de Carrasco, que havia seguradoseu pai agonizante nos braços 24 horas antes, disse emocionadaa um grupo de jornalistas em uma praça lotada em Mondragón queele havia morrido defendendo a liberdade. "Aqueles que querem mostrar solidariedade com meu pai oucom a nossa dor devem sair em massa às ruas para votar nodomingo e dizer aos assassinos: 'Nós não vamos dar um passoatrás."' Analistas disseram que o ataque não parecia ter mudadoradicalmente o quadro eleitoral, por conta da pequena escala epelo fato de que os dois principais partidos se posicionaram demaneira similar ao não negociar com o ETA, apesar de aindapoder haver uma reviravolta. Disseram ainda que a morte de Carrasco pode estimular aspessoas a irem votar, o que seria benéfico aos socialistas, quetem eleitores sabidamente menos fiéis do que os do PartidoPopular (PP), conservador. Carrasco foi cremado após um funeral ao qual comparecerammilhares de pessoas, incluindo a vice-primeira-ministra MaríaTeresa Fernández de la Veja e outros líderes políticos. (Reportagem adicional de Joe Ortiz)

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