Espanhóis votam em eleições locais marcadas por protestos

Os espanhóis começaram a votar no domingo nas eleições locais e regionais, que devem trazer grandes perdas para o partido Socialista, que está no poder atualmente e tem sido criticado por um desemprego generalizado que deu origem a uma onda de protestos antes das eleições.

RODRIGO DE MIGUEL E FIONA ORTIZ, REUTERS

22 de maio de 2011 | 11h30

Dezenas de milhares de espanhóis protestaram na semana passada em praças de todo o país contra as medidas de austeridade que têm afastado uma crise fiscal, mas agravaram a maior taxa de desemprego da União Europeia.

Os manifestantes pediram que os espanhóis rejeitem os socialistas e o Partido Popular, de centro-direita, as duas principais opções políticas da Espanha.

"Não gosto da política de alguns partidos", disse Cristina, uma estudante de 23 anos, que não quis dizer seu sobrenome, do lado de fora de um local de votação em Madri. Ela não quis dizer em quem votou, mas disse: "Você também pode votar em branco."

Os protestos não devem mudar o resultado das eleições para 8.116 câmaras municipais e para 13 dos 17 governos regionais, onde espera-se que o Partido Popular, de centro-direita, tenha maior votação.

As pesquisas mostram que os Socialistas podem perder redutos com a região de Castilla-La Mancha, que eles têm controlado há décadas, e a cidade de Sevilha, onde eles estão no poder há 12 anos.

Se as previsões se confirmarem, o resultado será uma reprimenda ao primeiro-ministro, José Luiz Rodriguez Zapatero, aplaudido no exterior pela sua disciplina fiscal durante a crise de dívida da zona do euro, mas impopular em sua própria casa, com a economia estagnada.

Os Socialistas, no poder desde 2004, também devem perder a próxima eleição geral, marcada para março de 2012, mas que pode ser antecipada, se as grandes perdas de domingo desencadearem uma crise de liderança no partido.

Depois que a crise da dívida da zona do euro forçou a Grécia e mais tarde a Irlanda e Portugal a pedirem auxílio, Zapatero implementou uma série de medidas para combater o enorme déficit público e para convencer os mercados financeiros de que a Espanha tem o seu orçamento sob controle.

Espera-se que ele mantenha a política econômica impopular, independente do resultado de domingo.

"A não ser que o governo queira correr o risco de causar outro episódio de crise financeira e que a dívida suba barbaramente outra vez, ele terá que implementar outro pacote de austeridade, antes das eleições", disse Fernando Fernandez, analista da faculdade de administração de Madri, IE.

PROTESTOS APESAR DA PROIBIÇÃO

Na manhã de domingo, centenas de manifestantes estavam acampados e sob toldos na Puerta del Sol em Madri, depois de uma manifestação durante a noite que atraiu cerca de 30 mil pessoas. O movimento marcou a maior multidão reunida depois de uma semana de protestos.

Comícios políticos são proibidos na Espanha em dias de eleição e nas 24 horas anteriores, mas o governo não tentou dispersar as manifestações, temendo a explosão da violência, depois de uma semana de protestos pacíficos.

Até agora, os espanhóis vinham se mostrando surpreendentemente pacientes com a crise econômica, já que o desemprego tem sido abafado pela tradição de laços de família extremamente fortes e pelo trabalho informal. Mas a paciência parece que se esgotou essa semana.

"Precisamos de uma mudança e não estou surpreso de ver que as pessoas acordaram, ainda que tardiamente", disse um dos manifestantes, Robert, de 38 anos, que trabalha para uma agência de publicidade.

Robert levou sua filha de três meses com ele aos protestos, "para que ela comece a aprender desde cedo", disse ele.

As manifestações têm atraído espanhóis de todas as idades, mas a maior parte é de jovens, que foram atingidos mais duramente pela crise. Quase metade dos espanhóis entre 18 e 25 anos de idade, estão fora do mercado de trabalho, mais que o dobro da média da UE.

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