Petr Josek/Reuters
Petr Josek/Reuters

Especialistas descartam problema técnico como causa de acidente

Análise da caixa preta da aeronave 'confirma que não houve problemas técnicos', afirma responsável

Efe

11 de abril de 2010 | 10h08

Especialistas russos descartaram que o acidente aéreo que matou o presidente polonês, Lech Kaczynski, e outras 94 pessoas no sábado, 10, tenha sido provocado por uma falha técnica do avião presidencial.

 

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Um primeiro estudo das conversas entre a tripulação do avião e a torre de controle "confirma que não houve problemas técnicos na aeronave", segundo informou ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, um responsável.

 

"Deciframos e estudamos de forma preliminar a gravação - com maior atenção examinaremos depois em Moscou - e esta confirma que não houve problemas técnicos na aeronave", declarou o chefe do Comitê de Investigação da Promotoria, Aleksandr Bastrikin, na cidade de Smolensk, onde ocorreu a tragédia.

 

As mesmas informações foram fornecidas pela torre de controle no aeroporto militar Severni de Smolensk, onde o avião de Lech Kaczynski caiu quando tentava aterrissar em condições de nevoeiro e pouca visibilidade.

 

"O piloto foi advertido sobre as condições meteorológicas adversas, mas decidiu fazer a aterrissagem", ressaltou Bastrikin, quem disse que todos os trabalhos estão sendo realizados em cooperação com especialistas e promotores poloneses.

 

Funcionários russos já responsabilizaram na véspera do acidente os pilotos do avião, por terem desobedecido primeiro a uma sugestão da torre de controle de desviar o avião para outro aeroporto e depois a ordem direta de suspender a aterrissagem.

 

Previamente, fontes do Ministério de Transporte indicaram que as gravações das conversas entre pilotos e operadores de voo "estão em estado satisfatório".

 

Admitiram, porém, que a segunda caixa-preta com os parâmetros de voo e as manobras do avião acidentado a fita "saiu da bobina, certamente por causa do forte impacto".

 

Especialistas russos e poloneses também  identificaram os primeiros 24 corpos das 96 vítimas da catástrofe aérea, informou neste domingo o Comitê de Investigação Promotoria russa. "São passageiros cujos corpos ficaram menos danificados e aqueles em que encontramos documentos", disse o chefe adjunto do Comitê, Vasily Piskarev, à agência "Interfax". O avião caiu no sábado perto da cidade russa de Smolensk e os corpos da maioria das vítimas foram transferidos no sábado à noite para Moscou.

 

Os restos mortais do presidente polonês foram identificados em Smolensk por seu irmão gêmeo, Jaroslaw Kaczynski, e repatriados neste domingo em um avião que está a caminho da Varsóvia, após uma cerimônia fúnebre de despedida com honras militares na presença do primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin.

 

Piskarev indicou que muitos dos corpos "estão desfigurados, devido às graves lesões provocadas pelos acidentes aéreos", mas afirmou que "os trabalhos continuam" e que "os restos de todas as vítimas serão identificados". Explicou que "há muitos fragmentos de corpos, por isso que será necessário fazer testes comparativos de DNA com os familiares das vítimas", que já começaram a chegar a Moscou. Acrescentou ainda que os especialistas russos realizaram as primeiras identificações junto de representantes da embaixada da Polônia.

 

Nas próximas horas, médicos legistas poloneses chegarão à capital russa para se somar aos trabalhos.O processo de identificação está ocorrendo no departamento legista central de Moscou, onde atualmente trabalham 45 analistas mais uma equipe de 37 juízes de instrução.

 

A Prefeitura da capital russa reservou 450 vagas em hotéis e meios de transporte para os familiares das vítimas, e formou equipes de tradutores e de especialistas para atender os que precisem de assistência médica ou psicológica.

 

A Polônia também enviou a Moscou, além de legistas, uma delegação liderada por dois ministros poloneses que vai coordenar um serviço de atendimento aos familiares das vítimas.

 

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