Esquerda francesa rejeita regra fiscal proposta por Sarkozy

A oposição de esquerdarejeitou um pedido do governo de centro-direita feito a todos os partidos para que se unam em torno de uma iniciativa para a instauração de normas fiscais na constituição. A recusa jogou mais combustível em uma batalha política que está crescendo.

REUTERS

20 de agosto de 2011 | 17h31

François Hollande, o favorito para disputar a Presidência pelo Partido Socialista na eleição de 2012, disse em entrevista ao semanário Journal du Dimanche, divulgada na manhã deste sábado, que as ações dos governos futuros farão mais para dar segurança aos mercados sobre as finanças públicas da França do que qualquer nova legislação.

"A eleição presidencial deverá permitir a qualquer candidato expressar um claro compromisso em relação ao equilíbrio das contas públicas, com um calendário claro e ferramentas para alcançar isso", disse Hollande,

"Minha abordagem será a de buscar um voto, logo após a eleição, sobre uma lei de planejamento orçamentário que respeite nossas metas europeias de corte de déficit. As famosas, e tão debatidas, agências de classificação de crédito, não estão pedindo uma regra de ouro, mas atos concretos que criem confiança duradoura".

A proposta feita há um mês pelo presidente Nicolas Sarkozy para inserir uma cláusula de controle do déficit na Constituição do país produziu uma tempestade política desde que, na terça-feira, com o apoio da Alemanha, ele sugeriu que tais "regras de ouro" sejam adotadas em toda a zona do euro.

Desde o início os socialistas se recusaram a dar a Sarkozy a necessária maioria de três quintos no Parlamento para alterar a Constituição, mas eles ficarão em uma posição difícil se os demais países do bloco do euro, formado por 17 nações, apoiarem o plano.

O primeiro-ministro François Fillon fez um apelo, em uma entrevista publicada na edição de sábado do diário Le Figaro, para que todos os partidos políticos se unam em torno da proposta.

No poder desde 2007, Sarkozy vem sendo alvo de críticas por isenções fiscais que beneficiam os ricos. Seus ministros estão trabalhando para reverter algumas delas para tentar arrecadar alguns bilhões de euros em receitas extras para o orçamento de 2012.

O partido dos Verdes também se alinha contra o apelo do governo.

A candidata presidencial verde Eva Joly classificou a idéia da regra de ouro como "economicamente ineficiente e politicamente absurda", ao lançar sua campanha eleitoral na cidade de Clermont-Ferrand, no centro da França.

(Por Thierry Leveque e Catherine Bremer)

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