Esquerda tem chance pequena, mas histórica, de governar a Grécia

O partido grego Coalizão de Esquerda terá nesta terça-feira uma histórica chance de formar um governo contrário ao plano de resgate da União Europeia e FMI, uma vez que os conservadores foram incapazes de montar uma coalizão depois da inconclusiva eleição de domingo no país.

DINA KYRIAKIDOU, REUTERS

08 Maio 2012 | 09h08

Mas tudo conspira contra a formação de um governo de esquerda, o que abre a perspectiva de novas eleições.

O líder esquerdista Alexis Tsipras, de 37 anos, cujo partido foi alçado à segunda colocação por um eleitorado irritado com as recentes medidas de austeridade, terá a tarefa de tentar seduzir pequenos grupos para formar o primeiro governo totalmente de esquerda na história moderna da Grécia.

Ao rejeitarem os dois partidos mais tradicionais --o conservador Nova Democracia e o socialista Pasok--, os gregos deram de ombros para o risco de uma falência do Estado e para a ameaça de exclusão do país da zona do euro, embora o governo tenha advertido que o caixa está se esvaziando rapidamente.

Se os líderes políticos não forem capazes de formar uma coalizão, a Grécia pode ter uma nova eleição já no mês que vem, causando mais incertezas.

"O país está se encaminhando a alta velocidade rumo à catástrofe", disse o jornal Kathimerini em editorial. "“Se um governo de salvação nacional não for formado nos próximos dias, novas eleições se tornarão inevitáveis."

Na segunda-feira, o presidente Karolos Papoulias deu prazo de três dias para a formação de um gabinete sob o comando de Antonis Samaras, cujo partido Nova Democracia teve a maior votação no domingo. Mas Samaras admitiu o fracasso no mesmo dia, após ser rejeitado por vários líderes partidários.

Tsipras, para quem o pacote internacional está afundando a Grécia ao invés de salvá-la, é o próximo da fila, e irá receber na terça-feira o aval presidencial para tentar formar a coalizão com os fragmentados grupos de esquerda.

A Coalizão de Esquerda, dissidência do tradicional Partido Comunista, quer que a Grécia permaneça no euro, mas rejeite o pacote de 130 bilhões de euros de ajuda internacional.

Os comunistas já rejeitaram a hipótese de participar do governo, e outros partidos contrários ao pacote não têm bancadas suficientes para formarem uma maioria junto com a Coalizão de Esquerda. Por isso Tsipras terá pouquíssimas chances de sucesso se não atrair o apoio de um grande partido.

A Grécia tem até o mês que vem para definir mais 11 bilhões de euros em cortes orçamentários para 2013 e 2014 em troca de mais ajuda. Autoridades disseram à Reuters que o governo pode ficar sem dinheiro até o final de junho se não houver governo formado para negociar uma nova parcela da ajuda com a UE e o FMI.

Se Tsipras não conseguir formar a coalizão, o Pasok será o próximo da fila para tentar.

O Nova Democracia e o Pasok, que há décadas se alternam no governo, conseguiram apenas 32 por cento dos votos e 149 das 300 cadeiras parlamentares.

(Reportagem adicional de Karolina Tagaris e George Georgiopoulos)

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