Esquerdistas russos comemoram aniversário da revolução comunista

Esquerdistas russos invadiram o centrode Moscou na quarta-feira para lembrar o 90o aniversário darevolução bolchevique, data que foi eliminada do calendáriooficial de comemorações da Rússia pós-comunismo. As grandiosas paradas militares na Praça Vermelha deMoscou, que comemoravam o principal acontecimento da históriasoviética, são coisa do passado, mas os russos continuamdivididos sobre o dia, em 1917, em que Vladimir Lênin comandoua tomada o Palácio de Inverno do governo. Cerca de 25 mil manifestantes tomaram a rua Tverskaya, aprincipal artéria de Moscou, hoje ladeada de butiques de luxo.Muitos rapidamente se dispersaram, mas milhares permaneceramnum ato em uma praça em homenagem ao teórico comunista KarlMarx, diante dos muros do Kremlin. Os manifestantes mais velhos, encapotados para enfrentar atemperatura abaixo de zero, carregavam bandeiras vermelhas ecartazes com críticas ao presidente Vladimir Putin. Um deles dizia: "O plano de Putin é o ópio do povo", numareferência à declaração de Marx sobre a religião. A importância da revolução ainda é um dos principais temasda política russa. Oleg Morozov, vice-presidente da Duma (câmara baixa doParlamento russo) e integrante do partido Rússia Unida,pró-Kremlin, disse recentemente que a revolução "talvez sópossa ser comparada na história da humanidade à emergência docristianismo". O nacionalista Vladimir Zhirinovsky manifestou uma opiniãocontrária, dizendo aos comunistas: "Vocês estão comemorando umevento que se tornou o motivo de todas as nossas desgraças." Para Gennady Zyuganov, líder do Partido Comunista, aprincipal oposição ao governo, a volta da revolução é"inevitável". Putin já descreveu o colapso do domínio soviético como a"maior catástrofe geopolítica" do século 20, e já elogiouconquistas soviéticas. Há três anos, Putin aboliu o feriado do Dia da Revolução eo substituiu por um novo, 4 de novembro, lembrando o dia em queforças russas expulsaram tropas polonesas de Moscou, em 1612. O dia 7 de novembro, que correspondia a outubro no velhocalendário, quando Lênin comandou a revolução, é hoje um dianormal de trabalho. Ainda é feriado em Belarus --antigaintegrante da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas(URSS)--, que manteve a economia sob domínio do governo e quereprime a dissidência. Historiadores dizem que a guerra civil pós-revolução e oterror stalinista dos anos 1920 aos anos 1950 custou à Rússiaaté 40 milhões de vidas. Mas assim como a águia de duas cabeças imperial permaneceno topo dos edifícios do Kremilin com as estrelas vermelhascomunistas, a reverência à revolução coexiste com o mal-estarde muitos diante das atrocidades comunistas. "As repressões eram terríveis, mas graças à revolução aRússia se tornou um superpotência", disse o taxista SergeiVelichko. "O Ocidente parou de nos respeitar quando a União Soviéticadesapareceu. Graças a Deus nós agora temos o Putin". Mais da metade dos russos acredita que a revolução iniciouuma nova era e deu impulso ao desenvolvimento da Rússia,mostrou uma pesquisa publicada na terça-feira.

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