Estrela em ascensão ajuda SPD a avançar sobre Merkel na Alemanha

O partido Social Democrata (SPD), de oposição da Alemanha, subiu para 32 por cento em uma pesquisa de opinião publicada no domingo, ajudado por uma onda de popularidade de um novo líder, uma mulher que poderá desafiar a chanceler Angela Merkel nas eleições daqui a 15 meses.

ERIK KIRSCHBAUM, Reuters

01 de julho de 2012 | 17h03

Hannelore Kraft, reeleita primeira-ministra do estado da Renânia no Norte-Vestfália, em maio, saiu do nada para o terceiro lugar na lista do Der Spiegel dos 20 políticos mais populares, logo atrás de Merkel, que ocupa o segundo lugar, atrás do presidente Joachim Gauck.

A filha de um piloto de bonde, que fala o que quer, sem meias palavras, ganhou aprovação fervorosa por administrar o estado mais populoso da Alemanha através da crise econômica, ajudando a ascensão do SPD a subir dois pontos desde dezembro, deixando-o apenas três pontos atrás dos conservadores, de acordo com informações do TNS Forschung Institute, publicadas pelo Der Spiegel.

Com 32 por cento, o SPD está agora nove pontos acima do que tinha nas eleições federais de 2009, uma derrota que acabou com seus onze anos no poder e agora, juntamente com seus aliados preferenciais, os verdes, está perto de obter os votos necessários para controlar o parlamento.

Com os verdes em 13 por cento, os dois partidos combinados receberiam 45 por cento, perto dos 47 a 48 por cento normalmente necessários para uma maioria parlamentar, em um sistema onde os partidos com menos de cinco por cento não conseguem nenhum assento.

A pesquisa de domingo mostrou o partido Cristão Democrata -CDU, de Merkel, e seu partido irmão da Baviera, a CSU (União Social Cristã)- firmes com 35 por cento, mas seus parceiros de coalizão, os Democratas Livres, estavam com quatro por cento -um ponto a mais desde dezembro, mas abaixo dos 10,6 do resultado de 2009.

Os Democratas Livres estão abaixo do limiar necessário para conseguir uma cadeira no parlamento nas pesquisas do Der Spiegel há mais de um ano.

Embora a popularidade pessoal de Merkel tenha aumentado durante a crise da zona do euro e muitos alemães apoiem suas posições firmes contra os países altamente endividados do bloco, disputas com sua coalizão de centro-direita em relação a questões impopulares que vão desde creches a leis antiterrorismo têm prejudicado o prestígio do seu governo.

A pesquisa foi feita em 26 e 27 de junho e, portanto, não refletiu nenhum impacto da cúpula da União Europeia do fim da semana passada, onde alguns especialistas dizem que Merkel cedeu demais em um acordo para proteger os bancos da zona do euro.

"Kraft é a nova esperança do SPD", escreveu o Der Spiegel. Os três principais candidatos do SPD -o presidente do SPD, Sigmar Gabriel, o líder parlamentar, Frank-Walter Steinmeier, e o ex-ministro das finanças Peer Steinbrueck estão todos atrás de Kraft, 51, em popularidade, segundo a revista.

Embora ela tenha dito que não quer concorrer contra Merkel em 2013, essa visão pode mudar se o seu partido pressioná-la a carregar sua bandeira para as eleições federais.

Na Alemanha, os líderes que expressam abertamente suas ambições são frequentemente censurados pelos críticos, inclusive por seus colegas de partido.

Outra pesquisa recente da rede de TV ZDF mostrou Kraft acima de Merkel como a política mais popular da Alemanha.

A pesquisa da Der Spiegel mostrou o Partido Pirata, que é contra a elite governante e ganhou impressionantes 8,9 por cento de votos durante uma eleição local em Berlim, no ano passado, em sete por cento e o partido de Esquerda no limiar de cinco por cento.

Outra pesquisa feita pelo Emnid publicada pelo Bild am Sontag no domingo, mostrou os Piratas com oito por cento, quatro pontos abaixo da mesma pesquisa feita em abril.

Se os Democratas Livres e o partido de Esquerda não ganharem pelo menos cinco por cento e conseguirem cadeiras no próximo parlamento, a aliança SPD-Verdes poderá vencer com uma maioria menor do que 42 por cento, disseram cientistas políticos.

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