Estudantes gregos atacam delegacias no 6º dia de protestos

Jovens que ocupam universidade entram em confronto com policiais; pelo menos um fica ferido no incidente

Agências internacionais,

11 de dezembro de 2008 | 07h54

Estudantes atacaram mais de dez delegacias em toda a cidade de Atenas nesta quinta-feira, 11, ferindo pelo menos uma pessoa no sexto dia de protestos. Em uma universidade, eles ainda entraram em confronto com a polícia e prometeram mais protestos nos próximos dias. Jovens arremessaram pedras e bombas incendiárias contra a polícia antes do amanhecer no sexto dia de protestos desde o assassinato de Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, que provocou manifestações violentas contra a polícia e contra o estado da economia do país. Três pessoas foram detidas em Atenas após uma madrugada de contínuos enfrentamentos entre jovens radicais e as forças da ordem.   Veja também: Gilles Lapouge: Política arcaica imobiliza Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo  Galeria de fotos dos protestos    Professores e estudantes universitários e do ensino fundamental convocaram uma manifestação em Atenas para sexta-feira por conta do assassinato de Grigoropoulos e mais protestos são esperados para a semana que vem. "O governo mostrou que não pode lidar com isso. Se a polícia começar a impor a lei, todos dirão que a junta militar está de volta", disse o eletricista Yannis Kalaitzakis, 49. Muitas pessoas estão irritadas com o fato de o policial de 37 anos, acusado da morte do adolescente não ter expressado remorso aos investigadores na quarta-feira. Ele disse que deu tiros de alerta em autodefesa, que ricochetearam e mataram o jovem. Epaminondas Korkoneas e seu parceiro, acusado de cúmplice, foram presos para aguardar por julgamento na quarta-feira. Geralmente os tribunais gregos levam meses para começar a julgar casos.   O primeiro-ministro Costas Karamanlis, que anunciou apoio financeiro para centenas de empreendimentos danificados nas manifestações, deve viajar para Bruxelas para um encontro da União Européia nesta quinta-feira, enquanto o governo grego tenta seguir trabalhando normalmente. Karamanlis e o líder da oposição, George Papandreou, fizeram apelos pelo fim da violência, que abalou 10 cidades gregas e danificou centenas de milhões de euros em propriedades. Gregos também protestaram em Paris, Moscou, Berlim, Londres, Roma, Haia, Nova York, Itália e Chipre.   A Grécia parou na quarta-feira por 24 horas após os principais sindicatos do país iniciarem uma greve geral que intensificou os confrontos entre manifestantes e a polícia, além de ter aumentado a pressão sobre o governo conservador do premiê. Apesar do agravamento da crise, fontes ligadas ao premiê negaram rumores de que o governo estaria considerando adotar medidas de emergência. Na terça-feira, o premiê Karamanlis havia pedido que os sindicatos suspendessem a greve - marcada antes da morte do estudante, supostamente baleado por policiais - para evitar qualquer tipo de confusão entre suas reivindicações e os protestos iniciados no sábado.   As organizações sindicais, porém, ignoraram o pedido do premiê, convocando os trabalhadores para uma "manifestação pacífica" que afetou os transportes terrestres, aéreos e marítimos. Bancos e escolas foram fechados e hospitais funcionaram em esquema especial para atender a casos mais graves. Setores da administração pública e empresas estatais - entre elas a responsável pelo abastecimento energético - também não funcionaram. Os sindicatos afirmam que ações do governo como privatizações, aumento de impostos e reforma da aposentadoria pioraram as condições dos gregos - especialmente para os 20% da população que vivem abaixo da linha da pobreza.   Em meio à greve geral, os protestos continuaram em várias cidades gregas. Uma marcha em Tessalonica terminou com o combate entre policiais e cerca de 2 mil manifestantes. No centro de Atenas, mais de 10 mil pessoas participaram de um protesto na frente do Parlamento. Carregando cartazes, pediam a renúncia do premiê, além de acusar o Estado de ser "assassino". Depois de arremessarem bombas incendiárias contra os policiais, os manifestantes foram reprimidos com gás lacrimogêneo. O balanço do governo coloca em 565 lojas o número de estabelecimentos destruídos pelos manifestantes desde o início dos protestos, há cinco dias. A Confederação Grega do Comércio estima em US$ 259 milhões os prejuízos causados até agora. O premiê anunciou que o governo vai indenizar as empresas que tiveram suas instalações danificadas durante os distúrbios. Segundo a agência de notícias Associated Press, os tumultos têm sido menores e menos espalhados nos últimos dias, o que sinaliza para um fim próximo dos protestos.   Um promotor grego ordenou ainda a prisão dos dois policiais envolvidos na morte de Grigoropoulos. Os acusados devem ficar detidos até o início do julgamento do caso. Ontem, o advogado de um dos policiais afirmou que a autópsia do corpo do jovem indicou que o disparo contra Grigoropoulos não foi intencional e o projétil o atingiu depois de ricochetear.

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