Estudantes italianos em protesto invadem Torre de Pisa e Coliseu

Estudantes italianos bloquearam ruas e invadiram a Torre de Pisa e o Coliseu romano na quinta-feira, num protesto contra a reforma universitária proposta pelo claudicante governo de Silvio Berlusconi.

CATHERINE HORNBY E GABRIELE PILERI, REUTERS

25 de novembro de 2010 | 16h58

As medidas, que tramitam no Parlamento, incluem cortes de gastos e limite de tempo para pesquisas.

Milhares de estudantes saíram às ruas de toda a Itália e ocuparam edifícios universitários. Um aluno ficou ferido em confronto com a polícia em Florença, segundo agências de notícias, mas as manifestações em geral foram pacíficas.

"Vamos impedir essa reforma", gritavam os estudantes em frente ao Parlamento, agitando cartazes e sinalizadores de fumaça.

Eles conseguiram burlar a segurança da Torre de Pisa e colocaram cartazes no topo do famoso monumento inclinado. Também entraram no Coliseu, em Roma, saltando as catracas.

O protesto é parte de uma onda de manifestações contra medidas de austeridade fiscal em toda a Europa. Em Londres, milhares de pessoas foram às ruas na quarta-feira em protesto contra o aumento das taxas universitárias.

A reação dos estudantes italianos é mais um golpe para Berlusconi, com a popularidade abalada devido aos problemas econômicos do país e a uma série de escândalos morais e financeiros envolvendo-o. Duas votações no Parlamento, marcadas para 14 de novembro, podem levar a eleições antecipadas na Itália.

A ministra da Educação, Mariastella Gelmini, disse que as reformas, destinadas a poupar bilhões de euros até o fim de 2012, criarão um sistema mais baseado no mérito.

Críticos dizem que as universidades já têm um déficit de 1,35 bilhão de euros previsto para o ano que vem, e que os cortes propostos agravarão a situação do ensino superior.

Na quinta-feira, o governo foi derrotado no Parlamento numa emenda a essa reforma. Berlusconi não tem mais maioria entre os deputados devido a um racha na sua coalizão.

Gelmini disse que a emenda tem pouca importância, mas que ela pode abandonar a reforma, a ser votada pelo plenário em 30 de novembro, caso modificações mais substanciais sejam incluídas.

Pier Luigi Bersani, líder do Partido Democrático, o principal de centro-esquerda, defendeu que a reforma seja imediatamente retirada.

"Comecemos discutindo como podemos corrigir as distorções nesta lei e como podemos encontrar recursos para apoiar o direito ao estudo e à pesquisa."

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