Estudantes vão às ruas contra reformas na França

Universitários protestam contra reforma universitária, alegando que projeto cria sistema para a elite francesa

REUTERS

08 de novembro de 2007 | 19h10

Estudantes franceses protestaram contraas reformas do presidente Nicolas Sarkozy pelas ruas de Paris,nesta quinta-feira, e foram acusados pelo governo de tentar seaproveitar das manifestações contra a reforma previdenciária. Centenas de estudantes fizeram passeata desde a praça daBastilha com cartazes que diziam: "Juntos tudo é possível" e"Cultura de graça, educação pública". O governo já enfrenta a ameaça de grandes paralisaçõestrabalhistas na semana que vem por causa dos planos de reformaprevidenciária. E agora os alunos começaram a ocupar prédios de faculdadepara protestar contra a reforma universitária, que já foiaprovada. A nova legislação injeta 1 bilhão de euros na educaçãosuperior, dá às universidades mais liberdade para escolher seusalunos e abre caminho para a maior participação de escolasprivadas no setor. A maior organização estudantil da França, a Unef, convocouos estudantes a participar da manifestação dos funcionáriospúblicos marcada para 20 de novembro, mas alunos deuniversidades mais ativistas da região de Paris decidiram fazera passeata já na quinta-feira. "É a escravização das universidades aos interesses dasempresas", disse Igor Zamichiei, secretário nacional da Uniãode Estudantes Comunistas. As entidades estudantis alegam que a lei não trata dapobreza dos estudantes e que vai criar um sistema divididopreocupado em financiar umas poucas instituições de elite. Maso governo vê motivações políticas e diz que os estudantes sóestão capitalizando com os outros protestos. "Para cada folheto distribuído hoje nas universidades háquatro em solidariedade aos movimentos dos trabalhadores",disse a ministra da Educação Superior, Valerie Pecresse. A França foi alvo de fortes protestos estudantis em 2006,quando o então premiê Dominique de Villepin foi obrigado arecuar de um plano sobre o primeiro emprego. Os protestos atuais são de escala bem menor, mas estãocrescendo, e junto com o dos outros setores podem representar oprimeiro grande desafio para o programa de reformas deSarkozy. A polícia expulsou estudantes de prédios invadidos deuniversidades em Tolbiac e em Nantes. Na noite anterior,policiais haviam dispersado uma manifestação na Sorbonne. Uma universidade na cidade de Rennes foi fechada naquinta-feira depois de confrontos entre estudantes efuncionários por causa de uma votação sobre os protestos,afirmou a universidade Rennes 2. (Reportagem adicional de Thierry Leveque e Pierre-HenriAllain em Rennes)

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