ETA admite que conflito basco causou sofrimento

O grupo separatista basco ETA admitiu nesta sexta-feira que sua campanha violenta, encerrada no mês passado, causou "bastante sofrimento" e pediu uma negociação com o governo espanhol sobre a entrega de armas e anistia para seus integrantes que estão presos.

REUTERS

11 de novembro de 2011 | 12h12

Centenas de prisões e a perda de apoio enfraqueceram o grupo guerrilheiro, cujos combatentes mataram mais de 800 pessoas em quatro décadas de luta por um Estado basco independente no norte da Espanha e sudoeste da França.

"Não há dúvida de que o conflito armado das últimas décadas causou bastante sofrimento", disseram dois membros mascarados do ETA, em uma entrevista publicada no jornal basco Gara.

Esse foi o primeiro anúncio público do ETA desde que, em outubro, o grupo declarou o fim da luta armada e pediu aos governos francês e espanhol o início de conversações para resolver o conflito.

"O processo deve incluir o retorno de todos os prisioneiros para casa. Qualquer outra opção seria baseada somente em vingança", disseram membros do ETA na entrevista.

O primeiro-ministro da Espanha, José Luiz Rodríguez Zapatero, que deve deixar em breve o governo depois de mais de sete anos no poder, não respondeu formalmente ao pedido de conversações, sabendo que no passado o ETA rompeu vários compromissos de cessar-fogo.

Na entrevista, o ETA também qualificou como positivo o que disse ser a mudança de atitude do líder do centro-direitista Partido Popular, Mariano Rajoy, em relação ao grupo. Rajoy é o favorito nas pesquisas para ocupar o cargo de primeiro-ministro depois das eleições parlamentares de 20 de novembro.

Rajoy havia declarado que o anúncio feito pelo ETA em outubro era o início de um futuro não-violento para a região basca.

"É certo que a reação (de Rajoy) é um rompimento com seu ponto de vista negativo, agressivo e sem sentido até agora", disseram os dois porta-vozes do ETA, segundo o Gara.

O Partido Popular mantém tradicionalmente uma posição linha-dura em relação ao ETA e é improvável que promova negociações diretas com o grupo sobre armas e prisioneiros.

Parentes das vítimas dos atentados e assassinatos do ETA se opõem fortemente a essas conversações.

As pesquisas mostram que o fim da violência separatista no País Basco não deve ser fator importante para os eleitores, já que as maiores preocupações são o desemprego e os cortes orçamentários do governo.

Para o ETA, a libertação de prisioneiros é uma parte vital do processo para pôr fim ao conflito.

(Por Judy MacInnes)

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